Conflito maior na Colômbia pode aumentar tráfico

Na medida em que vai se aproximando a data do ultimato dado pelo presidente colombiano, Andrés Pastrana, às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), observadores internacionais afirmam que se houver um fracasso nas negociações de paz, e se isso resultar em conflitos generalizados no país, pode passar a haver um maior fluxo de drogas atravessando as fronteiras colombianas. O problema aqui fica ainda mais complicado, pelo fato de que tanto os guerrilheiros de esquerda quanto as milícias paramilitares ilegais da extrema-direita financiam suas operações ao cobrar impostos dos cartéis traficantes de drogas. Acredita-se que ambos os lados possa aumentar sua produção de droga para pagar uma guerra crescente, enquanto as autoridades constituídas vão ficando a cada dia mais incapazes de os combater. A Colômbia já fornece a maior parte da cocaína consumida no mundo, assim como mais da metade da heroína utilizada nos Estados Unidos. O presidente Pastrana deu um prazo até a noite deste sábado para que o enviado das Nações Unidas ao país tente fazer ressuscitar as infrutíferas negociações com as Farc, que já duram três anos. Se o prazo expirar sem um acordo, Pastrana deverá reconquistar a zona desmilitarizada controlada pela guerrilha, que é do tamanho da Suíça. A maioria dos analistas prevê então uma das fases mais sangrentas dos 38 anos de guerra civil no país. Os Estados Unidos financiam o governo colombiano na luta contra as drogas com US$ 1,3 bilhões, a maior parte deles em ajuda militar. Os batalhões anti-drogas treinados e equipados nos Estados Unidos estão restritos a agir na guerra contra as drogas, mas são apoiados por outras forças e equipamentos que, provavelmente, seriam redirecionados para combater os mais de 16 mil homens das Farc. Outros esforços internacionais contra as drogas também poderiam ser afetados. Klaus Nyholm, do Programa de Controle Anti-drogas das Nações Unidas, disse à AP que os esforços de sua agência para ajudar camponeses que plantam a coca e a papoula, além da maconha, a mudar para o cultivo de produtos legais seriam prejudicados, se não totalmente impossíveis, em meio a uma guerra total.

Agencia Estado,

12 Janeiro 2002 | 04h17

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