Conflito mata 100 no Congo e analistas se dizem preocupados

Mais de 100 pessoas foram mortas em dois dias de combates pesados em Kinshasa, capital do Congo, disseram neste domingo, 25, autoridades hospitalares, enquanto diplomatas manifestavam temores em relação à democracia no país. Forças do governo restauraram a ordem na capital da República Democrática do Congo no final da última sexta-feira, depois de expulsar combatentes leais ao candidato presidencial derrotado Jean-Pierre Bemba, que refugiou-se na embaixada da África do Sul. "Temos mais de 90 corpos. Estão chegando a noite inteira", disse uma autoridade do necrotério do Hospital Mama Yemo, enquanto soldados traziam mais dois. "Muitos não estão identificados. Estamos em processo de identificação." Os conflitos são o primeiro surto de violência na capital desde a disputa presidencial, em outubro, que Bemba perdeu para o presidente Joseph Kabila. A eleição deveria ter mudado o cenário da guerra que durou de 1998 a 2003 e matou quase 4 milhões de pessoas, principalmente de fome e em conseqüência de doenças. Mas, ao contrário, deixou uma herança de amargura depois que Bemba alegou fraude. Perigo à democraciaAnalistas e diplomatas manifestam preocupação. O Congo faz fronteira com nove países e é visto como uma potencial âncora democrática para a África afetada por guerra. Na embaixada sul-africana, autoridades disseram que a presença de Bemba é temporária e que ele não pediu asilo. "Se Bemba for forçado a sair, ou se continuarem com algum tipo de julgamento, será um forte sinal de que Kabila não tem de verdade um compromisso com a democracia, ou com oposição política", disse um diplomata, acrescentando que a violência poderia ter sido evitada. Bemba é muito popular em Kinshasa e no oeste do país, de idioma lingala. O presidente tem a maior parte do seu apoio no leste, de idioma Swahili. Muitos membros do Movimento de Liberação do Congo, liderado por Bemba, estão escondidos. "A oposição já era fraca quando Bemba estava lá", disse Jason Stearns, analista do International Crisis Group. "Ela pode despedaçar-se. Não há ninguém para substituir Bemba."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.