Conflito na Geórgia invadiu ciberespaço

Disputa entre Rússia e país do Cáucaso em 2008 foi a primeira a ocorrer simultaneamente em terra e online

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

O conflito entre a Rússia e a Geórgia em agosto do ano passado foi o primeiro a ocorrer simultaneamente em terra e no ciberespaço. Semanas antes de as bombas russas começarem a cair em Tbilisi, capital da Geórgia, um duelo online já mobilizava internautas dos dois países desde julho. A invasão de sites governamentais, o roubo de informações sigilosas e os golpes contra servidores foram apenas algumas das táticas utilizadas durante a ofensiva virtual."Os ataques cibernéticos da Rússia contra a Geórgia foram eficazes porque ajudaram Moscou a obter informações da guerra quando fecharam temporariamente sites do governo e de agências de notícias", afirmou o pesquisador Alexander Melikishvili, do Centro James Martin para Estudos da Não-Proliferação, na Califórnia. "O fluxo vital de informação da Geórgia foi interrompido." De acordo com o analista, os ataques só não foram piores porque a economia do país não está completamente integrada à internet.Especialistas da área afirmam que o ataque contra a infraestrutura georgiana começou com o bloqueio de milhões de pedidos de conexão (conhecidos como DDOS, Distributed Denial Of Service) que sobrecarregaram e derrubaram os servidores - entre eles, o site da presidência do país, que ficou fora do ar por 24 horas. Esses ataques muitas vezes são difíceis de rastrear porque os hackers podem invadir redes em outros países e interferir em vários pontos ao redor do mundo ao mesmo tempo, sem o conhecimento dos usuários desses computadores.Outra técnica utilizada em ataques é inserir em softwares programas de espionagem que ficam ocultos ao usuário do sistema. Esse tipo de programa é projetado para esconder e filtrar informações dos computadores nos quais estão instalados - desde arquivos pessoais até planos secretos do Departamento de Defesa.Uma análise da vulnerabilidade cibernética da Força Aérea dos EUA, feita em dezembro de 2007, apontou que muitos dos sistemas utilizados pelo Pentágono têm componentes manufaturados fora do país por serem mais baratos. Ao economizar na compra desses softwares, o próprio governo americano pode ter aberto as redes militares do país a invasores. "Países estrangeiros poderiam inserir componentes secretos dentro dos computadores, tornando-os vulneráveis para ataques e espionagem", afirmou o relatório.?MILÍCIAS CIBERNÉTICAS?No início do ano, foi divulgado que o Quirguistão havia travado uma batalha de duas semanas em seu serviço de internet contra o que especialistas definiram como "milícias cibernéticas". Na ocasião, os dois principais servidores do país - que correspondem a mais de 80% da rede nacional - foram derrubados após ataques maciços.Enquanto alguns especialistas culpam a Rússia pelo ataque à ex-república soviética, outros acreditam que o governo do Quirguistão seria o responsável pelos ataques e teria contratado hackers russos para realizá-los. A razão teria sido a tentativa de acobertar a tentativa do governo de invadir sites de partidos opositores, que usam a internet para se organizar.Qualquer que seja o motivo por trás dos golpes virtuais no Quirguistão, o site HostExploit.com, especializado em segurança online, qualificou as invasões às redes de computadores do país de "cortina de ferro cibernética", que envolve a Rússia e os antigos membros da União Soviética.COM NYT

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