AFP PHOTO / Nazeer al-Khatib
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Conflito na Síria entra em seu 7º ano e já é o maior desde a 2ª Guerra

ONU qualificou o país como 'uma grande câmara de tortura' e disse que há 'uma onda de banho de sangue e atrocidades'

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2017 | 08h03

GENEBRA - Entrando em seu sétimo ano, a guerra na Síria já é o maior desastre humanitário da história desde a 2.ª Guerra. A constatação foi divulgada pela ONU em um relatório apresentado nesta terça-feira, 14, que qualificou o país como “uma grande câmara de tortura”. 

“O país hoje é um lugar de um horror selvagem e injustiça absoluta”, disse o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid al-Hussein. “Na medida que o conflito entra em seu sétimo ano, trata-se já do pior desastre do mundo desde a 2.ª Guerra”, disse. 

Para a ONU, os números evidenciam essa realidade: são 13,5 milhões de sírios que necessitam de ajuda, mais de 6 milhões de deslocados internos, 3 milhões de sírios menores de 5 anos cresceram sem saber como é viver em um país sem conflitos. No total, 5 milhões foram obrigados a deixar o país.

“Mas nem os apelos desesperados das pessoas de Alepo teve impacto nos líderes globais”, insistiu. “Nem as atrocidades contra a minoria yazidi realizadas pelo Estado Islâmico (EI)”, lamentou. 

“Vetos têm minado as esperanças para o fim dessa carnificina sem sentido e impedido que os crimes sejam levados às cortes”, declarou Al-Hussein. O alto comissário acredita que é “incontável” o número de detenções e desaparecimentos. “Há uma onda de banho de sangue e atrocidades”, insistiu.

A ONU, porém, deixa claro que a Síria é hoje o palco de uma “guerra por procuração”, com potências se enfrentando pelo controle da região. 

Num relatório ainda preparado pela Comissão de Inquérito sobre os Crimes na Síria, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, a constatação também aponta para uma guerra cada vez mais internacional. Os ataques desses governos “aumentam a preocupação em relação à escalada do conflito e o potencial de danos para os civis”.

Segundo o documento de Pinheiro, o EI está “perdendo terreno”, especialmente em Alepo, Homs e Raqqa. Mas ele alerta que “atores externos continuam a providenciar apoio material e financeiro a atores dentro da Síria, contribuindo para arrastar o conflito e o sofrimento da população”. 

“O envolvimento de atores externos na guerra levou a uma maior fragmentação do cenário político e militar, contribuindo para aumentar os níveis de violência e extremismo”, disse. “Ainda que a guerra contra o EI esteja dando resultados, civis continuam a ser as principais vítimas”, alertou. “A multiplicação de atores militares apoiados por agentes de fora pode se transformar em um obstáculo formidável para obter um acordo político”, insistiu Pinheiro.

A Comissão pede que os ataques da coalizão internacional sejam “proporcionais” e respeito à população local. 

 
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