Conflito no Chade deixa ao menos 100 mortos no fim de semana

Confrontos deste fim de semana foram os mais violentos em décadas; Cruz Vermelha ainda recolhe os corpos

Reuters,

06 de fevereiro de 2008 | 17h40

Confrontos entre rebeldes e forças do governo na capital do Chade, N'Djamena, mataram pelo menos 100 civis e feriram até 700 pessoas no fim de semana, informou nesta quarta-feira, 6, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Segundo as estimativas da Cruz Vermelha, os confrontos deixaram pelo menos 160 mortos e cerca de 1000 feridos, informou a BBC.  Veja também:Entenda o conflito entre governo e rebeldes França faz nova advertência a rebeldes chadianosRebeldes declaram trégua e França pode intervir no ChadeONU pede apoio internacional ao governo do Chade "Nos três principais hospitais da cidade nós contamos 100 civis mortos. Chegamos a algo em torno de 700 feridos", disse Guilhem Molinie, chefe de missão para o MSF de Bruxelas no Chade, acrescentando que o número de mortos deve aumentar, já que funcionários da Cruz Vermelha ainda recolhem os corpos.  Segundo a BBC, o exército do país e soldados franceses patrulhavam as ruas. Helicópteros levantaram vôo para bombardear posições rebeldes fora da cidade. Graças a inteligência e logística francesa, eles seriam usados na caça de 200 caminhões rebeldes que se retiraram após as batalhas do fim de semana. Apesar do país ter um histórico de conflitos, os confrontos deste fim de semana foram os mais violentos em décadas. O ministro da defesa da França, Herve Morin, visitou o país nesta quarta-feira, 6, para demostrar seu apoio ao governo. Idriss Déby, presidente do Chade, fez uma aparição pública nesta quarta-feira, 6, pela primeira vez desde o início dos ataques do fim de semana. Vestido com uniforme militar, o presidente chamou os rebeldes de 'mercenários', e acusou o Sudão de estar por trás da tentativa de golpe. O governo do Sudão já havia negado as acusações de estar permitindo que bases rebeldes se instalassem em suas fronteiras, na região de Darfur. Déby disse acreditar que a maioria dos rebeldes fujiram da capital. "Nós estamos seguindo eles e vamos capturá-los antes que voltem para o Sudão", afirmou. O presidente ainda agradeceu a França, que tem um acordo militar com o país para o treinamento de tropas, logística e fornecimento de remédios durante a crise. Os rebeldes, que já haviam tentado tomar a capital e dar um golpe em 2006, acusam Déby de favorecer sua família e amigos, além de desviar o lucro da produção de petróleo, que vem sendo desenvolvida por um consórcio liderado por empresas americanas. (Reportagem de Nick Tattersall)

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