Conflito no Iêmen desaloja mais de 100.000 pessoas, diz ONU

Mais de 100.000 pessoas, das quais muitas crianças, foram desalojadas de suas casas no Iêmen pela recente irrupção de conflitos entre o governo e rebeldes muçulmanos xiitas, disse uma agência da ONU nesta sexta-feira.

PATRICK WORSNI, REUTERS

21 de agosto de 2009 | 19h04

A agência voltada para a infância, a Unicef, e outras entidades assistenciais da ONU expressaram séria preocupação com o que definiram como situação que se deteriora no norte do Iêmen e descreveram como críticas as condições em algumas áreas.

A agência da ONU para os refugiados, a Acnur, afirmou em Genebra que está fazendo um apelo por um cessar-fogo para permitir que os civis fujam das áreas de conflito e os trabalhadores encarregados de distribuir ajuda humanitária retomem seu serviço na zona conflagrada.

O conflito com os rebeldes Houthi no Iêmen, país de maioria muçulmana sunita, emerge de modo intermitente desde 2004, mas ganhou intensidade nos últimos meses. As autoridades acusam os rebeldes de tentar expandir sua influência, mas eles dizem estar apenas defendendo seus vilarejos contra a opressão governamental.

As forças iemenitas recorreram a ataques aéreos, tanques e artilharias em uma ofensiva iniciada este mês e que as autoridades dizem ser uma tentativa de esmagar a revolta.

"Estima-se que mais de 100.000 pessoas tenham sido deslocadas na última rodada de combates, das quais muitas são crianças", disse Aboudou Karimou Adjibade, o representante da Unicef no Iêmen. "É crucial que possamos ter acesso imediato a elas para lhes dar a assistência de que precisam."

A agência informou que lançará um apelo por ajuda na semana que vem.

Confrontos anteriores entre tropas do governo e rebeldes já haviam afetado 120.000 pessoas, disseram altos funcionários da ONU.

O porta-voz da Acnur Andrej Mahicic disse que os refugiados relataram que a situação é crítica no reduto rebelde de Saada --onde os combates desalojaram cerca de 35.000 pessoas nas duas últimas semanas--, em áreas mais ao norte e em El Sufyan em um distrito vizinho.

Ele afirmou que as estradas para a região de Saada estão bloqueadas e não há acesso por ar à área de conflito. Muitas pessoas que procuram refúgio estão pagando a aproveitadores para conseguirem sair da região, informou o Acnur.

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