Khaled Abdullah/Reuters
Khaled Abdullah/Reuters

Conflito no Iêmen entra em trégua para país lidar com coronavírus

Cessar-fogo unilateral foi decretado pela Arábia Saudita, mas rebeldes houthis afirmam que nenhuma trégua estava sendo aplicada

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2020 | 18h35

RIAD - Um cessar-fogo unilateral entrou em vigor no Iêmen nesta quinta-feira, 9, decretado pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, a fim de permitir que o país lide com a pandemia do coronavírus e tente proteger sua população. Logo em seguida, porém, os rebeldes houthis disseram que nenhuma trégua estava sendo aplicada. 

A coalizão disse que a trégua de duas semanas entrou em vigor às 9h (horário de Brasília), mas um porta-voz dos rebeldes houthis disse que os ataques aéreos continuavam. "A agressão não parou, e até agora houve ataques aéreos, continuamente", disse o porta-voz Mohamed Abdelsalam à televisão Al-Jazeera.

Os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã e adversários dos sauditas, consideram o cessar-fogo "uma manobra de distração política e da mídia", acrescentou a mesma fonte.

Se mantida, seria o primeiro avanço desde que os beligerantes concordaram com um cessar-fogo na cidade portuária estratégica de Hodeida (sudoeste), negociado por intermédio das Nações Unidas no fim de 2018.

Os Emirados Árabes Unidos, membro da coalizão que retirou suas tropas do Iêmen no ano passado, saudaram a decisão saudita, chamando-a de "sábia e responsável". 

"Espero que os houthis estejam à altura da tarefa. A crise da covid-19 obscurece tudo: a comunidade internacional deve intensificar seus esforços e trabalhar para proteger o povo iemenita", tuitou o ministro de Estado para Relações Exteriores, Anwar Gargash.

Esse gesto ocorre após uma escalada dos combates no Iêmen, apesar das Nações Unidas pedirem uma cessação imediata da violência para proteger os civis da pandemia.

 

Uma autoridade saudita disse na quarta-feira que a trégua poderia ser prolongada e abrir caminho para uma solução política mais ampla. Para conseguir um cessar-fogo permanente, expressou seu desejo de uma reunião com os rebeldes sob mediação da ONU.

Poucas horas antes do anúncio da coalizão, os houthis divulgaram um documento com sua visão de como acabar com o conflito. Pediram a retirada de tropas estrangeiras e o fim do bloqueio da coalizão dos portos e espaço aéreo iemenita.

Também exigiram que a coalizão pagasse os salários dos funcionários pela próxima década e que financiasse a reconstrução do país, incluindo as casas destruídas durante os bombardeios aéreos.

O enviado especial da ONU, Martin Griffiths, aplaudiu a trégua e exortou os beligerantes a "cessarem imediatamente as hostilidades".

A interrupção do conflito ocorre no momento em que a Arábia Saudita, diante de uma queda nos preços do petróleo, procura sair de um conflito dispendioso que matou dezenas de milhares de pessoas e que, segundo a ONU, desencadeou a pior crise humanitária do mundo.

Na quarta-feira, o vice-ministro da Defesa da Arábia Saudita, o príncipe Khaled bin Salman, instou os rebeldes a "demonstrar boa vontade".

"Esperamos que o cessar-fogo de duas semanas crie uma atmosfera que alivie as tensões" e ajude os esforços de Griffiths por "uma solução política duradoura", tuitou.

O Iêmen não anunciou nenhum caso de contágio do novo coronavírus no momento, mas as organizações humanitárias alertaram que, se a doença se espalhar, o impacto será catastrófico. / AFP 

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