Conflito no Oriente Médio divide governo e oposição na Alemanha

O conflito do Oriente Médio desembarcou com força na Alemanha, onde por um lado a classe dirigente se vê comprometida em um intenso trabalho diplomático e, por outro, a oposição acusa o governo de adotar uma políticademasiado pró-israelense. Em declarações aos jornais Berliner Zeitung e Zeit, KarlLamers, porta-voz de relações exteriores da oposicionistacoligaçãO CDU-CSU, criticou duramente o ministro de RelaçõesExteriores, Joschka Fischer, do Partido Verde. Quando Fischer fala, "parece estarmos escutando osisraelenses falarem", disse Lamers, ressaltando que o ministrode Relações Exteriores deveria fazer a Europa "falar emuníssono" e dizer que "Israel tem a maior responsabilidade"no recrudescimento do conflito no Oriente Médio. O governo israelense segue "uma política que promove oterrorismo", acrescentou Lamers. No plano diplomático, Berlim está trabalhandointensamente com as outras capitais. Fischer, que a cada diachama atenção para as resoluções da ONU e para a retomada dasnegociações de paz, parte esta noite para o Congressoextraordinário da União Européia (UE) em Luxemburgo sobre acrise no Oriente Médio. Por sua vez, o chanceler Gerhard Schroeder falou hojepor telefone com o presidente de turno da UE, José María Aznar,pedindo o fim da violência e a retirada de Israel dosterritórios palestinos ocupados. Na sexta-feira, Schroeder se reunirá em Berlim com opremier francês, Lionel Jospin, e o Oriente Médio seráprovavlemente uma das prioridades de sua agenda. Também expressou preocupação com o tema o ex-ministro deRelações Exteriores Klaus Kinkel, que pediu maior compromissodos EUA na crise e advertiu Israel a não enviar Yasser Arafatpara o exílio.Só uma intervenção pessoal do presidente George W. Bushe do secretário de Estado Colin Powell pode salvar a situação e"os israelenses - acrescentou - fariam bem em não tocar emArafat". O grupo parlamentar CDU-CSU não exclui, como medidaextrema, a hipótese de sanções econômicas contra Israel, em cujocaso os EUA deveriam assumir o papel de guia: "Há só umapotência que tem o poder de induzir à razão as partes litigantes- os EUA", disse Lamers.

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