Conflito no Oriente Médio já deixa mais de 300 mortos

Israel fez sua mais violenta ofensiva no Líbano nesta quarta-feira, deixando 64 libaneses mortos, segundo a agência de notícias Reuters. No começo do dia, as tropas israelenses cruzaram a fronteira libanesa e combateram diretamente os guerrilheiros do Hezbollah. Mais tarde, o primeiro-ministro do Líbano, Fuad Saniora, pediu ajuda internacional para cessar os ataques, que já deixaram cerca de 300 libaneses mortos em oito dias de batalha. Ele também reivindicou uma compensação de Israel pela "destruição bárbara" e as "perdas irremediáveis" sofridas pelo país.Na manhã desta quarta-feira, pelo menos dois soldados israelenses e um militante do Hezbollah morreram em combates no sul do Líbano, enquanto foguetes do Hezbollah atingiram a cidade hebraica de Nazaré, deixando duas crianças árabes mortas. No Líbano, bombardeios israelenses deixaram 64 vítimas fatais, segundo a Reuters, entre elas o brasileiro Dib Barakat. Com as baixas desta quarta-feira, já passam a 300 o total libaneses mortos no conflito.Além das duas crianças vítimas do Hezbollah, outros oito israelenses ficaram feridos durante o ataque, informaram autoridades de Israel. Desde o acirramento das tensões no Oriente Médio, ao menos 29 israelenses morreram em decorrência de foguetes e mísseis lançados pelos guerrilheiros.BunkerNo início da noite, aviões israelenses lançaram 23 toneladas de explosivos sobre um bunker no sul de Beirute onde supostamente estariam escondidos importantes figuras do Hezbollah, entre elas o líder supremo do grupo, xeque Hassan Nasrallah. O Hezbollah, no entanto, negou que qualquer um de seus "líderes ou membros" tenham morrido no ataque contra o bairro de Bourj al-Barajneh, no sul de Beirute. Um dos principais objetivos da ofensiva israelense é eliminar os líderes do Hezbollah.No front diplomático, Saniora, cujo fraco governo não conseguiu cumprir uma resolução da ONU que obriga o desarmamento do Hezbollah, criticou a posição americana, que desde o início da ofensiva justificou a ação israelense como um ato de "auto defesa"."É isso o que a comunidade internacional chama de auto defesa?", questionou o premier em um encontro com diplomatas estrangeiros, entre eles o embaixador dos Estados Unidos, Jeffrey Feltman. "É este o preço que pagamos por aspirar pela construção de instituições democráticas?"Pressões sobre IsraelO apelo do líder libanês vem à tona paralelamente às crescentes pressões para que Israel e os Estados Unidos concordem com um cessar-fogo. O crescente número de mortos e o escopo da destruição em território libanês ampliou as divergências entre os Estados Unidos e os países europeus, enquanto as agências humanitárias alertam para uma catástrofe eminente, já que cerca de meio milhão de libaneses abandonaram suas casas nos últimos dias.Israel, entretanto, afirmou que manterá a ofensiva no Líbano até que o vasto arsenal de mísseis da guerrilha seja destruído. Já a administração Bush, por sua vez, deu luz verde à iniciativa israelense, dando tempo para que Israel neutralize a guerrilha xiita. Para os europeus, no entanto, o crescente número de mortes entre civis pode favorecer o Hezbollah, enfraquecendo o fraco governo libanês.

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