Conflito no sul do Sudão mata pelo menos 100, dizem jornais

Uma frágil serenidade foi restaurada na cidade sulista de Malakal, Sudão, após dias de um pesado combate entre forças do governo e ex-rebeldes que, segundo os jornais Sudan Tribune e Al-Sahafa, deixou cerca de 100 pessoas mortas e mais de 300 feridas, embora cálculos exatos não pudessem ser realizados. Foi a pior luta entre as duas partes desde que um acordo de paz foi assinado ano passado. "Centenas de pessoas se perderam. O Exército do Sudão teve muitas baixas e civis foram pegos pelo fogo cruzado", disse Elias Waya Nyipucs à agência Reuters. Nyipucs é um ex-integrante do primeiro escalão do rebelde Exército Popular da Liberação do Sudão (SPLA, em inglês). A luta em Malakal começou há três dias e resultou em uma guerra tática entre as Forças Armadas Sudanesas e o SPLA. Trabalhadores humanitários em Malakal disseram que a luta começou quando forças do governo tentaram matar um comandante local do SPLA. Na noite de segunda-feira, o grurpo rebelde contra-atacou o principal líder militar na cidade, e dezenas de combatentes de cada lado morreram, disse os trabalhadores. Os embates evoluíram para batalhas de ampla escala na terça-feira, e a situação permaneceu tensa após o desembarque de tropas da ONU na cidade, nestas quinta-feira. A cidade, que tem mais de 150 mil pessoas e fica perto dos maiores campos de petróleo do país, está situada no limite que divide o norte e o sul. Um acordo de paz entre autoridades e rebeldes, assinado em janeiro de 2005, terminou com 21 anos de guerra civil entre o norte e o sul do Sudão, mas a situação em Malakal permaneceu instável. Conflito em Darfur Em Darfur, no oeste do Sudão, há um outro conflito étnico entre tropas rebeldes e milícias apoiadas pelo governo, denominadas Janjaweed. Os confrontos começaram em 2003 e já resultaram em mais de 200 mil mortos e 2 milhões de deslocados. A crise em Darfur é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) o primeiro genocídio do século XXI. Em novembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de tropas de paz ao país. Contudo, o presidente sudanês Omar al-Bashir rejeita as forças de paz das Nações Unidas e impede o acesso de tropas estrangeiras ao local. Matéria atualizada às 19h23 com acréscimo de informações

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