Conflito sírio deixa mais de 1 milhão de crianças refugiadas

Segundo números da ONU, menores são mais da metade dos sírios que deixaram o país nos últimos dois anos e meio

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2013 | 22h29

Enquanto a comunidade internacional não chega a um consenso sobre como lidar com a guerra na Síria, o país sofre a perda de uma geração.

Além dos mortos e gravemente feridos, dois anos e meio de conflitos ininterruptos já produziram um milhão de crianças refugiadas, segundo dados que a ONU divulgará oficialmente nesta sexta-feira. Elas representam a metade do total de refugiados sírios. "A marca de um milhão de crianças refugiadas não é apenas um número. Essa criança foi arrancada de sua casa, talvez de sua família. Enfrentou horrores que só agora estamos começando a entender", disse o diretor executivo da Unicef, a agência da ONU para a infância, Anthony Lake.

Segundo o número 1 da Unicef, a situação das crianças na Síria é uma "vergonha" para toda a comunidade internacional. "Enquanto trabalhamos para aliviar o sofrimento daqueles afetados pela crise, a comunidade global fracassou em sua responsabilidade de proteger essa infância", disse, em uma referência à incapacidade das potências mundiais de chegarem a um acordo para pôr um fim ao conflito. "Chegou a hora de nos questionarmos como, em plena consciência, podemos continuar a fracassar diante dessas crianças sírias", disse.

"O que está em jogo é a sobrevivência de uma geração de inocentes", disse o alto-comissário da ONU para refugiados, António Guterres. A maioria das crianças refugiadas está no Líbano, Jordânia, Turquia e Egito. Mais de 70% têm menos de 11 anos. Muitas atravessaram a fronteira sozinhas. Hoje, os menores representam metade de todos os refugiados do conflito na Síria. A maioria deles está no Líbano, Jordânia, Turquia e Egito. Mas, cada vez mais, essa população começa a chegar na Europa. Mais de 3 mil crianças cruzaram as fronteiras da Síria na direção dos países vizinhos sem seus pais. Ou estavam sozinhas ou apenas acompanhados de irmãos também menores.

Na Síria, 2 milhões de crianças foram obrigadas a deixar suas casas. Mais de 7 mil delas foram mortas no conflito. Fora da Síria, a crise enfrentada por esses jovens não acaba ao cruzar a fronteira. Muitos são ameaçados com trabalhos forçados, o número de casos de exploração sexual de menores explodiu nos últimos meses e garotas são forçadas a casar. Na maior operação humanitária da história, a ONU garantiu até agora atendimento psicológico a 167 mil menores e construiu escolas para 118 mil crianças em campos de refugiados. Centenas de bebês nasceram nesses campos em dois anos.

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