Conflito sírio reforça divisão sectária no mundo islâmico

A duas maiores vertentes do Islã, xiitas e sunitas, tomaram posições antagônicas na Síria e ameaçam desencadear uma guerra ampla anunciada há séculos. "Há um grande temor do começo de uma guerra sectária em massa. Se isso ocorrer, toda a região se transformará numa guerra genocida, engolfando todos", diz Samir al-Ibrahim, secretário-geral da Associação de Acadêmicos Religiosos Livres Sírios e um muçulmano sunita de Idlib, na Síria.

CENÁRIO: Oren Dorell e Ahmed Kwider / USA Today, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2013 | 02h03

Os muçulmanos sunitas, que incluem as famílias reais dos xeques do petróleo do Golfo, alinharam-se aos rebeldes, que - como a maioria na Síria - são adeptos do sunismo. As famílias reais da Arábia Saudita e do Catar estão destinando armas e dinheiro para os insurgentes, e a Al-Qaeda (também sunita) envia combatentes ao front sírio.

O presidente sírio, Bashar Assad - da seita alauita, uma derivação do xiismo -, apelou para grupos xiitas, que o estão ajudando a conservar seu regime. A teocracia do Irã mobilizou oficiais e combatentes de sua Guarda Revolucionária e o grupo Hezbollah, designado como terrorista pelos EUA, está enviando militantes em apoio às forças de Assad.

Líderes religiosos de ambos os ramos do Islã, no Egito de maioria sunita e no Iraque de predominância xiita, trocaram acusações sobre a morte de muçulmanos na Síria. Capitais árabes expressaram seus temores de que membros de uma seita ou de outra ganhem as ruas como fizeram no Bahrein durante a Primavera Árabe.

A guerra civil já cruzou as fronteiras da Síria para o Líbano, onde alauitas libaneses estão enfrentando ataques de sunitas. Foguetes foram disparados entre Turquia, Síria e Iraque.

A discórdia que deu origem à divisão entre sunitas e xiitas ocorreu no século 7, pouco depois da morte do profeta Maomé. Alguns líderes islâmicos adotaram a posição de que era legítimo que o sucessor de Maomé fosse escolhido por consulta, e escolheram o pai da mulher de Maomé para califa (líder do mundo muçulmano). Outros acreditavam que Maomé pretendia que seu primo e cunhado Ali, um parente consanguíneo, fosse seu legítimo herdeiro.

Ao longo dos séculos, houve muitos conflitos entre os dois grupos. Os sunitas conseguiram o predomínio em números, riqueza e poder. Hoje, os sunitas estão em maior número na maioria dos países muçulmanos, exceto no Iraque, Líbano, Bahrein e Irã.

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