Conflitos após morte de Benazir deixam 14 mortos no Paquistão

Principal força da oposição, ex-primeira-ministra foi vítima de tiros e explosão após comício próximo à capital

Agências internacionais,

27 de dezembro de 2007 | 18h53

O assassinato da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto nesta quinta-feira, 27, desencadeou uma onda de protestos violentos por todo o país, elevando os temores de uma guerra civil. Poucas horas após o atentado que resultou nas mortes da política líder da oposição e de ao menos outras 20 pessoas, milhares de manifestantes tomaram as ruas, atacando carros de polícia e prédios governamentais. Segundo as agência internacionais, 14 pessoas morreram nos distúrbios. Veja também:Sharif diz que vai boicotar eleições Bush diz que assassinato foi 'ato covarde'  Filha de dinastia, Benazir era figura polêmica Análise: Paquistão em mares desconhecidosImagens Cronologia: A trajetória de Benazir Vídeo e análise com Roberto Godoy Blog do Guterman: Guerra civil à vista   Uma das principais candidatas a se tornar premiê do Paquistão nas eleições de janeiro de 2008, Benazir morreu após proferir um discurso em Rawalpindi, cidade próxima a capital Islamabad. A política foi baleada por um terrorista que se explodiu em meio à multidão.  A reação dos seguidores da ex-premiê veio imediatamente após a disseminação da notícia pelo resto do país. Dez das 14 mortes relatadas até o momento ocorreram no reduto político da ex-premiê, a cidade portuária de Karachi, onde ativistas do Partido Popular do Paquistão (PPP), de Benazir, incendiaram veículos e postos de gasolina.  Em Lahore, duas pessoas morreram depois que seguidores de Benazir incendiaram lojas, ônibus e carros, segundo a polícia. As outras duas mortes ocorreram em meio a protestos na província de Sindh, sudeste do Paquistão. Além dos atos de vandalismo, os ativistas do PPP também atacaram a sedes locais do partido governista Liga Muçulmana do Paquistão-Q. Embora muitos acusem políticos próximos a Pervez Musharraf, o presidente paquistanês condenou o atentado e decretou três dias de luto.  Alerta vermelho Paralelamente, forças paramilitares foram colocadas em "alerta vermelho" em todo o país.  "Colocamos o país em alerta vermelho. Pusemos as forças paramilitares nas Províncias à disposição para que possam garantir a segurança e a paz", disse o porta-voz do Ministério do Interior, Javed Cheema.  Ele reafirmou as acusações feitas por Musharraf, e disse que Bhutto foi alvo de "terroristas".  Mais tarde nesta quinta-feira, o marido e os filhos da ex-primeira-ministra chegaram de Dubai a Islamabad para levar o corpo de Benazir para o local do sepultamento, na cidade natal da família.  Pela tradição islâmica, os funerais devem ser realizados o mais rapidamente possível. Fontes partidárias disseram que o enterro deve ser na sexta-feira.  Fontes do partido disseram que Benazir será sepultada em sua aldeia natal, chamada Garhi Khuda Baksh, na região de Larkana. Seu túmulo no cemitério familiar deve ficar ao lado do pai dela, Zulfikar Ali Bhutto, primeiro primeiro-ministro eleito pelo voto popular no Paquistão. Deposto em 1977, Ali Bhutto foi enforcado dois anos depois.

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoBenazir Bhutto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.