Conflitos na África custaram US$ 300 bilhões em 15 anos

Organizações fazem o primeiro estudo sobre os efeitos negativos das guerras no PIB do continente

Efe,

11 de outubro de 2007 | 03h32

Entre os anos de 1990 e 2005, os conflitos armados na África representaram um custo econômico de pelo menos US$ 300 bilhões, segundo um relatório da Oxfam e outras duas organizações. O estudo, chamado de "Os Bilhões Perdidos na África", é o primeiro no qual são analisados os efeitos negativos das guerras no Produto Interno Bruto de todo o continente. Sua publicação coincide com o encontro em Nova York de diplomatas de todo o mundo para discutir nas Nações Unidas um tratado sobre o comércio de armas. Segundo o relatório, um conflito típico do continente, uma guerra civil ou uma insurreição reduz em 15% o peso de uma economia média africana. "A violência armada é uma das maiores ameaças para o desenvolvimento africano", afirma Irungu Houghton, assessor da Oxfam para o continente. "Os custos são terríveis. Os números de nosso estudo são com segurança calculados por baixo, mas indicam que os conflitos custam aos países africanos uma média de US$ 18 bilhões ao ano", acrescenta o analista. Com esse dinheiro, assinala Houghton, poderia se enfrentar a aids, tomar medidas preventivas contra a tuberculose e a malária, e educar a população, além de proporcionar a ela água potável e medidas sanitárias. Armas Além disso, os autores do relatório calculam que 95% dos fuzis Kalashnikov (AK-47), os mais usados nesses conflitos, vêm de países não africanos. Os combatentes que violam as leis da guerra e comentem contínuas violações dos direitos humanos recebem seu armamento na maioria dos casos de fora do continente. O coordenador para a África da Iansa (sigla em inglês para Rede Ação Internacional contra as Armas Pequenas), Joseph Dube, disse que o relatório "descreve os impactos econômicos devastadores de um comércio de armas mal regulado e os terríveis sofrimentos que causa". Segundo Dube, "o governo cujas fábricas produzem as armas de fogo é tão responsável como o que permite que seus navios as transportem. Igualmente, os países nos quais se desembarca esse material bélico devem se preocupar qual é seu destino. Se não se regula tudo isto, o custo e o sofrimento dos africanos continuará sendo imenso". Metodologia Oxfam e as outras ONGs, co-autoras do relatório, a citada Iansa e a Saferworld, calculam que entre 1990 e 2005, 23 países africanos estiveram envolvidos em conflitos armados. Essas ONGs calcularam o crescimento econômico que teriam tido esses países à revelia de conflito comparando o registrado ali com o de outros países africanos de similar nível de desenvolvimento econômico, mas em situação de paz. A metodologia utilizada, reconhecem os autores, calcula para baixa o valor, pois não inclui, por exemplo, o impacto dos conflitos nos países limítrofes, que sofrem normalmente as conseqüência da insegurança política regional e a chegada em massa de refugiados. Os custos indiretos dos conflitos incluem a inflação, o endividamento e o alto nível de desemprego, a privatização dos recursos naturais, que não são investidos em benefício de todo o país, e o fato de que os mais vulneráveis, mulheres e crianças, morram em conseqüência do conflito e não durante o mesmo.

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