Conflitos na Tailândia matam 2 e ferem centenas

A polícia de choque tailandesa disparou bombas de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral em manifestantes contra o governo nesta terça-feira. Duas pessoas foram mortas e cerca de 400 ficaram feridas nos conflitos. As Forças Armadas da Tailândia colocaram soldados nas ruas de Bangcoc para apoiar a polícia, mas os soldados desarmados não demonstraram vontade de dispersar os milhares de manifestantes da Aliança do Povo para a Democracia (PAD). Um homem foi morto na explosão de um carro-bomba e uma manifestante morreu durante a intensificação da campanha de quatro meses para derrubar o atual governo, que segundo o PAD é uma marionete ilegítima do primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra. O coronel Sunsern Kaemkumnerd, porta-voz do Exército, rechaçou os rumores de que o país sofreria um novo golpe. Dois anos atrás, os militares tiraram do poder de Shinawatra, em uma ação que não envolveu qualquer tipo de confronto armado. "Não vamos carregar armas e patrulharemos as ruas com os policiais", afirmou Sunsern à Reuters. Os conflitos começaram pouco depois do amanhecer, quando policiais usaram gás lacrimogêneo para abrir passagem entre 5.000 manifestantes do PAD que estavam concentrados ao redor do Parlamento para impedir o início de uma sessão legislativa. Até o anoitecer, 381 pessoas ficaram feridas, 48 seriamente. Dois policiais foram baleados e um outro esfaqueado durante os conflitos, que aconteceram nas zonas administrativas de Bangcoc. Um homem perdeu um pé e um outro teve uma perna arrancada na explosão de cilindros de gás, o que levou o vice-primeiro-ministro do país, Chavalit Yongchaiyudh, a assumir a responsabilidade pelos incidentes e pedir demissão. Segundo o vice-premiê, a polícia havia recebido ordens para ser comedida em suas ações."Já que essa ação não resultou no que eu planejava, quero assumir a responsabilidade por essa operação", afirmou Chavalit em sua carta de renúncia. Autoridades da área de saúde disseram que 190 pessoas receberam tratamento devido à inalação do gás lacrimogêneo ou a outros ferimentos sofridos durante o pior incidente de violência de rua a ocorrer na Tailândia desde os sangrentos combates entre o Exército e ativistas pró-democracia em 1992. O afastamento do principal negociador do governo com a Aliança do Povo pela Democracia (PAD) significa um outro golpe aos novos esforços do primeiro-ministro Somchai Wongsawat para colocar fim à longa crise responsável por abalar a confiança dos investidores na Tailândia. O PAD, uma coalizão de empresários, acadêmicos e ativistas, acusa Somchai de ser um fantoche de Thaksin, cunhado dele. O ex-premiê foi tirado do poder pelo golpe de 2006. Segundo o grupo, a democracia tailandesa viu-se minada pelo bilionário Thaksin e seus aliados, que venceram com facilidade as últimas três eleições. A entidade defende a implementação de uma "nova política." "Derrubem o regime Thaksin. Juntos venceremos ou perderemos. Vamos saber isso hoje. Não desistiremos", afirmou Anchalee Paireerak, líder do PAD. (Reportagem adicional de Nopporn Wong-Anan, Ed Cropley e Adrees Latif)

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