Conflitos por terra entre Israel e Líbano se intensificam

Milicianos do grupo xiita libanês Hezbollah e soldados israelenses travaram violentos combates em enclaves estratégicos no interior do Líbano, enquanto a Marinha e a Aviação de Israel prosseguiam seus bombardeios, matando nove pessoas. Navio de guerra israelense atacou o maior campo de refugiados palestinos no Líbano. Os combates se estenderam nesta quarta-feira aos municípios de Burj al-Muluk, Klaiah e Qantara, mais ao norte da localidade de Taibe, na fronteira, onde as tropas israelenses conseguiram levantar um posto militar avançado em território libanês.Segundo membros da Resistência Islâmica, braço armado do Hezbollah, citados por fontes de segurança libanesas, o Exército israelense sofreu "várias baixas". Um dos tiroteios mais violentos ocorreu na manhã dessa quarta-feira nos arredores da localidade de Qantara, oito quilômetros ao norte da fronteira, onde a Resistência diz ter destruído dois tanques israelenses e ferido pelo menos dez militares. Israel admitiu que houve violentos confrontos armados nesta cidade, mas não deu mais detalhes. Na aldeia de Burj al-Muluk, o Hezbollah assegura que destruiu outros dois carros de combate, enquanto em Debel, a cerca de cinco quilômetros da fronteira, os milicianos dizem que causaram "várias baixas" no Exército israelense. Além disso, houve combates em Bint Jbeil e Aita al-Shaab, duas localidades que Israel precisa controlar se quiser ampliar a ofensiva mais ao norte. Com este objetivo, o Governo israelense se reúne nessa quarta-feira para decidir se dá sinal verde a um plano traçado para chegar às margens do rio Litani, onde criaria uma faixa de segurança semelhante à que manteve até maio de 2000, data na qual teve que se retirar sob apressão do Hezbollah. Enquanto os combates se intensificam no sul, a Aviação e a Marinha israelenses não param de bombardear outras áreas do país. Segundo fontes policiais, pelo menos nove pessoas, sete delas da mesma família, morreram hoje em dois bombardeios israelenses no vale de Bekaa e no campo de refugiados palestinos de Ein el-Hilweh. Desde o início da crise, há 29 dias, mais de mil pessoas já morreram no Líbano e cerca de um milhão foram obrigados a abandonarsuas casas.Ataque ao campo de refugiadosFuncionários palestinos e libaneses disseram que um navio de guerra israelense atirou em direção ao campo Ein el-Hilweh, mas militares israelenses dizem ter mirado em uma casa usada pelo Hezbollah. A TV do Hezbollah Al-manar relatou que oito palestinos ficaram feridos e ouros dois morreram. Os corpos foram tirados dos escombros de uma casa destruída pelo bombardeio.O ataque foi o primeiro ao campo desde o início dos conflitos entre o Estado judeu e a organização shiita, há quatro semanas. Funcionários palestinos e libaneses, na condição de anonimato, pois não estão autorizados a falar com a imprensa, disseram que navios de guerra dispararam dois projéteis, um atingiu o campo, e o outro acertou o parque de diversões da cidade. Os funcionários disseram que as vítimas do campo se deram com a queda do projétil em um local usado pelo Fatah para treinar guerrilheiros. Ein el-Hilweh é o maior campo de refugiados palestinos no Líbano e há anos é bombardeado e palco de tiroteios e assassinatos, já que facções rivais tentam tomar o controle do local. O campo é o lar de 75 mil palestinos, e seus descendentes, desabrigados pela guerra Árabe-israelense de 1948. Aproximadamente 350 mil palestinos vivem em campos de refugiados no Líbano que gozam de extraterritorialidade nos quais os palestinos são as autoridades. Com o tempo os campos se tornaram favelas. Acredita-se que o campo sirva de esconderijo para procurados pela polícia libanesa e refúgio de milícias. O exército libanês não entra no campo, mas mantém bases nas entradas do campo para controlar os guerrilheiros.Fontes militares israelenses justificaram a ação da Marinha com o argumento de que entre seus estreitos becos se refugiavam membros da Resistência Islâmica.

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