Marco Bello/Reuters
Marco Bello/Reuters

Confronto com a polícia marca ato da oposição em Caracas

Em Caracas, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) impediu a marcha liderada pelo governador de Miranda, Henrique Capriles, que abandonou o ato após ter inalado gás lacrimogêneo

O Estado de S. Paulo

11 Maio 2016 | 19h30

CARACAS -  Milhares de venezuelanos saíram ontem às ruas de 19 cidades do país para pedir que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) acelere o processo de instauração do referendo revogatório do presidente Nicolás Maduro. Em Caracas, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) impediu a marcha liderada pelo governador de Miranda, Henrique Capriles, que abandonou o ato após ter inalado gás lacrimogêneo. 

Apesar de a GNB ter fechado o acesso à sede do CNE, um grupo de manifestantes conseguiu burlar o esquema de segurança e entrou na avenida que dava acesso ao prédio. A PNB então tentou dispersá-los com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Acompanhado de alguns assessores, o líder opositor tentou forçar a entrada na avenida e sentiu os efeitos do gás. Apesar do incidente, os manifestantes permaneceram na via por mais de alguns minutos de forma pacífica. 

“Não temos de pedir autorização para ninguém do governo”, disse Capriles antes do início da marcha. “O povo quer mudança e as trapaças do governo só fortalecem a nossa determinação.”

O secretário-executivo da Mesa de Unidade Democrática (MUD) lamentou o incidente. “Infelizmente, aconteceu essa situação, nosso irmão Henrique Capriles foi atingido com gás dirigido a seu rosto”, disse Torrealba à Unión Radio.

O porta-voz da oposição airmou ainda que a ação da polícia foi covarde. “Todo mundo sabe que Capriles foi operado recentemente por lesões em seu rosto, portanto é triplamente desprezível esse tipo de agressão”, acrescentou Torrealba, que garantiu que Capriles não sofreu ferimentos mais graves em virtude do incidente. 

O deputado opositor Juan Guaidó, que estava perto de Capriles no momento do ataque, disse em sua conta no Twitter que jogaram gás pimenta nos olhos de Capriles durante o ato. “O governo deve entender que a violência institucional não vai nos deter”, afirmou.

Outros líderes da oposição participaram da mobilização. O presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, alertou que o governo pretende postergar o referendo para que não haja mais tempo de convocar novas eleições - se a votação ocorrer em 2017, Maduro sai e o vice-presidente completa o mandato. 

A coalizão opositora pede que o CNE valide as 1,8 milhão de assinaturas recolhidas para dar início ao processo do referendo revogatório. A legislação pedia 200 mil assinaturas, mas em virtude de denúncias de fraude feitas pelos chavistas, o CNE pediu que os signatários revalidem a moção de maneira biométrica. Com isso, a primeira etapa, que deveria ter sido concluída na segunda-feira, foi adiada. 

Acenando com bandeiras e assoprando apitos, centenas de pessoas protestaram na capital Caracas e também nas províncias - onde a escassez de alimentos e os apagões são mais graves -, mas as autoridades as bloquearam.

“Eles não nos deixam votar. Eles não nos deixam marchar. Eles não nos deixam comer. Eles não nos deixam viver pacificamente. O que mais podemos fazer? Temos que lutar como pudermos contra esta tirania”, disse Juan, recusando-se a dizer o sobrenome enquanto vestia uma máscara.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) criticou os manifestantes, que considera golpistas, e realizou uma manifestação separada nesta quarta-feira. Autoridades chavistas disseram que um referendo ainda em 2016 é improvável. O governo acusa a oposição de paralisar o país por meio de uma “guerra econômica”. / AP, REUTERS e EFE

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