Fernando Llano/AP
Fernando Llano/AP

Confronto durante protesto mata 2 em Caracas

Governo acusa ‘franco-atirador’ por mortes de agente da Guarda Bolivariana e de integrante de grupo armado chavista

O Estado de S. Paulo,

06 de março de 2014 | 16h50

(Atualizada às 23h30) CARACAS - Um agente da Guarda Nacional Bolivariana e um civil morreram na quinta-feira, 6, baleados em Caracas, durante um violento confronto entre moradores de Los Ruices, no leste da capital venezuelana, e grupos de motociclistas chavistas armados que tentavam retirar barricadas levantadas na região.

De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, os mortos foram vítimas de "um franco-atirador". "Ambos foram mortos por um só disparo", disse o líder do Congresso venezuelano, afirmando que o civil - um mototaxista integrante do grupo chavista - e o guarda estavam "recolhendo os escombros" quando foram baleados. O atirador estaria em "um edifício de Los Ruices", segundo a versão oficial.

O presidente Nicolás Maduro declarou que o local de onde partiram os disparos foi identificado. O jornal El Universal afirmou que, quando os grupos armados chegaram à Rua A, próximo à Avenida Francisco de Miranda, "os moradores começaram a bater panelas" - e os chavistas "dispararam contra os apartamentos" dos prédios da via.

Segundo o diário, os manifestantes responderam com garrafadas, enquanto os "motorizados", como são chamados na Venezuela, tentavam entrar nos prédios residenciais.

"Os grupos armados lançaram um coquetel molotov que caiu em cima de um veículo que se incendiou. Quando chegaram os bombeiros para apagar o fogo, eles foram agredidos pelos grupos armados. Quase ao meio-dia, chegou a Guarda Nacional, que lançou bombas de gás lacrimogêneo contra alguns moradores que tinham descido para se manifestar em razão da chegada dos coletivos", afirmou o Universal.

Com as mortes de quinta, 20 pessoas morreram nas recentes manifestações contra o governo de Nicolás Maduro e nos confrontos ocorridos nos protestos. Segundo a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, 318 pessoas ficaram feridas.

Repressão

O Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa (SNTP, na sigla em espanhol) afirmou que 89 jornalistas sofreram agressões e roubos ou foram vítimas de detenções injustas desde o início das manifestações contra o governo Maduro.

"A Guarda Nacional pôs em prática uma escalada de detenções e roubo de equipamentos e material gráfico, em uma ação absolutamente repressiva e em violação do direito ao trabalho e da liberdade de expressão", declarou o secretário-geral do sindicato, Marco Ruiz.

Segundo dados do SNTP, jornalistas foram vítimas de 23 roubos de equipamentos - por manifestantes, civis armados ou agentes das forças de segurança venezuelanas -, 22 detenções arbitrárias e 68 agressões.

Na quinta-feira, enquanto a Justiça venezuelana aceitava a denúncia de Diosdado Cabello contra o jornal TalCual por difamação, o presidente Maduro voltou a pedir que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) faça uma reunião extraordinária para tratar da atual crise na Venezuela. O chavista afirmou que pretende "expor as circunstâncias de ataque e de violência" que têm ocorrido em seu país.

Panamá

O chanceler venezuelano, Elías Jaua, afirmou que, após ter rompido, na quarta-feira, as relações diplomáticas com o Panamá, a Venezuela suspendeu a revisão de sua dívida com o país centro-americano até que "haja um governo (panamenho) sério que respeite as relações de respeito mútuo". / AP e AFP

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