Jorge Cabrera/Reuters
Jorge Cabrera/Reuters

Confronto em prisão em Honduras deixa ao menos 16 mortos

Massacre é segundo em intervalo de 48 horas; soma de vítimas fatais chega a 30

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2019 | 01h08

Pelo menos 16 presos morreram neste domingo, 23, em um confronto entre gangues rivais em uma prisão perto de Tegucigalpa, capital de Honduras, em situação parecida a de outro presídio, em que 18 pessoas foram assassinadas na última sexta-feira.

O porta-voz da Força Interinstitucional de Segurança (Fusina), José Coello, confirmou à imprensa local a morte dos 16 presos durante uma briga na prisão do município de El Porvenir, departamento Francisco Morazán. Dois outros prisioneiros foram feridos com uma arma branca e, portanto, foram levados ao Hospital Escolar Tegucigalpa, onde um deles teria morrido, fato não foi confirmado pelas autoridades.

O massacre, o segundo que ocorre em 48 horas em uma prisão no país e cujas causas ainda são desconhecidas, ocorreu apesar de uma comissão intermediária assumir a prisão na quinta-feira passada, depois que o Poder Executivo declarou estado de emergência no sistema prisional.

Um total de 18 prisioneiros morreu na sexta-feira em um tiroteio na prisão de Tela, no departamento caribenho de Atlántida, e mais de uma dúzia se feriu.

O coordenador de segurança do governo, Luis Suazo, também confirmou o assassinato de 16 detentos e disse que esses tipos de crimes múltiplos são planejados por grupos criminosos. "Um dos grupos criminosos decidiu tentar reverter esse processo (intervenção na prisão), iniciado na semana passada", disse a autoridade. Ele também enfatizou que a estratégia desses grupos criminosos é "chamar a atenção" das organizações de direitos humanos.

Por sua parte, o presidente do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos de Honduras, Hugo Maldonado, disse aos repórteres que se sentem "quebrados" diante do novo assassinato em uma prisão, o segundo em 48 horas. "Chega de tanta morte" no sistema penitenciário, disse Maldonado, que afirmou que um confronto entre membros de gangues é a principal hipótese de múltiplos crimes.

Maldonado apelou à comunidade internacional para "ajudar" o governo hondurenho a "preparar" guardas prisionais, já que "ainda resta uma dúvida de que a equipe está bastando" para atividades ilegais nas prisões.

Os presídios em Honduras são considerados uma "bomba-relógio" devido à superlotação, problemas de infraestrutura e vários presos em detenção preventiva. /EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.