Confronto entre apoiadores e opositores de Evo faz 20 feridos

Manifestantes favoráveis a uma maior autonomia em relação ao governo central da Bolívia entraram em confronto com partidários do presidente Evo Morales nesta sexta-feira, em incidentes que deixaram ao menos 20 feridos. Os enfrentamento ocorreram a poucas horas do início dos "cabildos", assembléias populares convocadas pela oposição para pressionar a Assembléia Constituinte a aceitar a reivindicação por maior autonomia nos departamentos (estados) mais prósperos do país. O confronto mais violento, entretanto, ocorreu durante o deslocamento de manifestantes contrários ao governo boliviano que se dirigiam para a cidade de Santa Cruz de la Sierra, onde participariam de um ato de reivindicação por maior autonomia para o departamento (estado). Santa Cruz, assim como os departamentos de Beni, Pando e Tarija, realizam nesta sexta-feira assembléias populares para exigir que a Assembléia Constituinte reconheça o regime de autonomia aprovado pela maioria dos eleitores dessas regiões em plebiscito realizado em julho. Partidários de Evo, entretanto, rejeitam a reivindicação. Eles alegam que o resultado total do país foi contrário à autonomia.A violência desta sexta-feira reflete a ampliação das tensões entre apoiadores e opositores de Evo, que defende a centralização do poder em La Paz, e conta com a maioria dos constituintes. Segundo fontes policiais e o governador de Santa Cruz, Ruben Costas, o incidente ocorreu na estrada que une os departamentos de Santa Cruz e Beni, na cidade de San Julian. Costas, que apóia os protestos, disse que os manifestantes enfrentaram-se com pedras e pedaços de madeira. Mas, segundo relatos da mídia boliviana, ao menos oito pessoas tiveram ferimentos a bala.Em relato telefônico à agência EFE, o prefeito de uma cidade próxima ao local do incidente explicou que indígenas e camponeses ligados ao partido de Evo, o Movimento ao Socialismo (MAS), teriam virado três veículos que seguiam para Santa Cruz para participar da assembléia. Os seguidores do presidente boliviano haviam realizado um bloqueio na estrada.A polícia, por sua vez, informou que dos 20 ônibus que pretendiam chegar à capital, apenas cinco conseguiram passar pelo bloqueio. Dois terçosAs assembléias também foram convocadas para pedir que os constituintes aprovem a nova Carta Magna por dois terços dos votos, e não por 50% mais um, como querem os partidários do governo.Além disso, em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira, o líder do Comitê Cívico de Santa Cruz, Germán Antelo, criticou o governo por lançar "mensagens falsas" sobre as reivindicações autonomistas do departamento. "Não queremos nos separar do país", disse ele, para lembrar, em seguida, que Santa Cruz quer uma "descentralização política e administrativa aprovada por 71% de seus habitantes em um referendo realizado em julho".Antelo disse que se a população de Santa Cruz voltar a ratificar seu desejo de ter um regime autônomo durante a assembléia popular desta sexta-feira, o governo não poderá mais ignorar o assunto. Caso isso ocorra, advertiu o líder local, o movimento autonomista terá que apelar para as instâncias jurídicas "nacionais e internacionais".Verde e brancoAlheios à violência, milhares de manifestantes saíram às ruas de Santa Cruz vestidos com as cores do departamento - o verde e o branco - para reivindicar maior autonomia a esta região do leste boliviano. Há muito os departamentos do leste da Bolívia pedem por maior independência em relação à capital La Paz. Mas, somada às disputas acerca da regra de aprovação da Assembléia Constituinte, o tema da autonomia ganhou urgência.Texto ampliado às 20 horas

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