STR/AFP
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Confronto entre cocaleiros pró-Evo e policiais deixa 9 mortos na Bolívia

Indígenas da região do Chapare, reduto de Evo, queriam entrar na cidade de Cochabamba para manifestar apoio ao ex-presidente e teriam, segundo as autoridades, forçado bloqueio montado em ponte

Ricardo Galhardo, Enviado Especial, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2019 | 22h55
Atualizado 16 de novembro de 2019 | 21h59

LA PAZ - Violentos confrontos entre policiais e cocaleiros que tentavam chegar à cidade de Cochabamba, na Bolívia, nesta sexta-feira, 15, para manifestarem em favor do ex-presidente Evo Morales deixaram 9 mortos, 132 feridos e 169 detidos, segundo a Defensoria Pública. Militares e policiais tinham levantado um bloqueio na ponte Huayllani para evitar que os cocaleiros do Chapare, reduto de Evo, entrassem na cidade e, segundo as autoridades, os confrontos começaram quando os indígenas forçaram a passagem.

O defensor Nelson Cox, da Defensoria do Povo de Cochabamba, pediu investigação para apurar responsabilidades. "Estamos pedindo informações para que se justifique o uso de armas, pois os feridos e os mostos foram, em sua grande maioria, por impacto de bala", disse Cox. "Essa mobilização merecia uma proteção do Estado sob os padrões internacional de direitos humanos e não uma repressão conjunta de militares e policiais", acrescentou.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou através do Twitter o uso desproporcional da força nas manifestações e pediu que as armas não sejam usadas no controle dos protestos.

De acordo com o governo, dez pessoas morreram desde o início da crise, provocada pelas contestadas eleições de 20 de outubro. Os manifestantes pró-Evo falam em 20 mortos.

Nesta sexta, a Polícia Nacional reprimiu com bombas de gás lacrimogêneo uma manifestação pacífica de apoiadores de Evo no centro de La Paz. Centenas de partidários do ex-presidente se concentravam na Praça São Francisco à espera de um grupo de mineiros que vinha de El Alto, na região metropolitana da capital boliviana, para se juntar ao protesto contra o governo da autoproclamada presidente interina Jeanine Áñez por volta das 15h30 horário local (16h30 horário de Brasília), quando um grupo de policiais em motocicletas surgiu em uma rua lateral disparando bombas de gás lacrimogêneo.

Os disparos provocaram uma correria geral. Entre os manifestantes havia muitas mulheres de idade avançada. Enquanto corriam para o lado oposto ao das bombas, outro grupo de policiais atacou encurralando os manifestantes. A reportagem do Estado viu duas mulheres em trajes típicos pacenhos desmaiarem sob efeito do gás. / Com AP

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