Tauseef Mustafa/Agence France-Presse - Getty Images
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Confronto entre militares de China e Índia deixa ao menos 20 mortos na fronteira

Autoridades dos dois países confirmaram o embate entre as forças armadas; limites da fronteira nunca foram estabelecidos e movem disputa entre indianos e chineses

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2020 | 07h25
Atualizado 19 de junho de 2020 | 08h20

NOVA DÉLHI - Ao menos 20 militares indianos morreram em um confronto com o Exército chinês na disputada fronteira entre os dois países, o primeiro confronto com mortos entre os dois gigantes asiáticos nos últimos 45 anos.

A China acusou a Índia de responsabilidade pelo incidente ao atravessar duas vezes a fronteira, mas não anunciou publicamente se o confronto deixou mortos do seu lado.

No Vale de Galwan "houve um confronto violento na noite passada que deixou vítimas de ambos os lados", disse um porta-voz do Exército indiano nesta terça-feira, lamentando a morte de um oficial e dois soldados do lado indiano.  Uma declaração subsequente relatou que 17 outros soldados "gravemente feridos" sucumbiram aos ferimentos, elevando o número total de mortes em ação para 20".

Um militar indiano na região afirmou à agência France-Presse que não aconteceu uma troca de tiros. "Nenhuma arma de fogo foi utilizada. Aconteceram combates corpo a corpo violentos", disse a fonte, que pediu anonimato porque não está autorizada a falar com a imprensa.

As tropas das duas potências nucleares se envolveram desde o início de maio em vários confrontos ao longo da fronteira comum, principalmente em Ladakh, e milhares de soldados foram enviados à região para reforçar a presença dos dois lados. Uma crise que as duas partes afirmam, no entanto, querer "resolver pacificamente" pela via diplomática.

Após as negociações entre generais dos dois Exércitos há 10 dias, um processo de desmilitarização teve início em alguns pontos disputados na altitude de Ladakh.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse que as  tropas indianas cruzaram a fronteira e "provocaram e atacaram os chineses, o que gerou um grave confronto". 

Altos funcionários dos dois países negociam atualmente na região para acalmar a situação, de acordo com um comunicado do Exército indiano.

"China e Índia concordam em seguir resolvendo os problemas bilaterais por meio do diálogo", disse. "Pedimos novamente à Índia que controle suas tropas na fronteira. Não atravessem a fronteira, não provoquem problemas", insistiu o porta-voz chinês.

No início de maio, os combates, com socos, pedras e paus, envolveram militares dos dois países na região de Sikkim (leste da Índia). Os confrontos deixaram vários feridos.

As tropas chinesas também avançaram em zonas que a Índia considera dentro de seu território em Ladakh, o que levou Nova Délhi a enviar reforços à região.

As tensões entre os dois países aumentaram nas últimas semanas ao longo da fronteira comum de 3.500 quilômetros, que nunca foi devidamente delimitada. As duas potências regionais tiveram várias disputas territoriais nas zonas de Ladakh e Arunachal Pradesh.

Os dois países se enfrentaram em uma guerra relâmpago em 1962. Os confrontos em zonas montanhosas entre os Exércitos indiano e chinês se tornaram mais frequentes nos últimos anos. 

Em 2017, aconteceram 72 dias de confrontos, depois que forças chinesas avançaram na área disputada de Doklam, na fronteira entre China, Índia e Butão.

Após esses confrontos, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente chinês, Xi Jinping, tentaram reduzir a tensão. 

No mês passado, Alice Wells, principal funcionária do Departamento de Estado americano para o sul da Ásia, afirmou que a China estava tentando mudar o balanço regional e era necessário "resistir"./ AFP

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