Juan Carlos Torrejón / EFE
Juan Carlos Torrejón / EFE

Confronto entre opositores e apoiadores de Evo Morales deixa dois mortos na Bolívia

Tensão ocorre na véspera do início da auditoria da OEA que vai apurar a contagem de votos das últimas eleições presidenciais

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 04h05
Atualizado 31 de outubro de 2019 | 08h27

LA PAZ - Duas pessoas morreram por disparos de armas de fogo e outras seis ficaram feridas na noite dessa quarta-feira, 30, durante confrontos entre apoiadores e opositores de Evo Morales, na Bolívia. A tensão ocorre na véspera do início da auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) que vai apurar a contagem de votos das últimas eleições presidenciais.

"Seis pessoas feridas e dois mortos: Mario Salvatierra, de 55 anos, e Marcelo Terrazas, de 41", informou o ministro de Governo, Carlos Romero, sobre os incidentes registrados no povoado de Montero, próximo à cidade de Santa Cruz, reduto da oposição a Evo.

Romero culpou o candidato presidencial opositor, Carlos Mesa, e a direção do Comitê Cívico de Santa Cruz pelos confrontos. Mesa e a organização não reconhecem o resultado da eleição e o consideram fraudulento.

"O que está acontecendo em Santa Cruz, em Cochabamba, a situação é gravíssima", destacou o ministro, em referência às cidades que registraram confrontos entre opositores e partidários de Evo, que ocupa a presidência do país desde 2006.

Os protestos já duram mais de uma semana desde o fim das eleições. De acordo com a instituição Defensora del Pueblo - que monitora questões relacionadas aos direitos humanos -, 139 pessoas ficaram feridas nos confrontos desde o início das manifestações.

Evo, de 60 anos, diz que os protestos são parte de um plano de golpe de Estado, movido por Mesa, mas o líder opositor descarta as acusações, desafiando o governo: "Vou para a prisão ou para a presidência", afirmou.

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Auditoria ainda é alvo de contradições

Os protestos mais violentos até agora acontecem na véspera do início de uma auditoria pactuada entre o governo boliviano e a OEA. O processo, de caráter vinculante às eleições do dia 20 de outubro, não foi aceito por Mesa, que considera um acordo unilateral.

O diplomata boliviano Diego Pary anunciou o acordo com a OEA e declarou que o resultado do relatório da auditoria será vinculante às duas partes.

O secretário geral da OEA, Luis Almagro, usou o Twitter para detalhar que os resultados da auditoria devem ficar prontos em 10 a 12 duas e que terão por base quatro aspectos: "Verificação dos votos: atas e papeletas", "verificação do processo informatizado", "componentes estatísticos e projeções" e "cadeia de custódia".

Na terça-feira, Mesa havia dito que só aceitaria uma auditoria se Evo desconhecesse sua eleição e se o resultado da análise fosse vinculante. No entanto, o líder opositor mudou de posição na quarta, alegando que os termos para a auditoria foram pactuados "de forma unilateral".

O Ministro da Comunicação da Bolívia, Manuel Canelas, pediu que Mesa notificasse quais seriam as condições para que ele apoiasse e acompanhasse o processo da auditoria e o resultado, exigindo que fossem apontadas condições viáveis.

A seus seguidores, em uma área rural de Cochabamba, Evo Morales discursou em favor da auditoria. "Dizem que há fraude (no processo eleitoral), que façam um controle, que revisem, que façam auditoria. Não tenho o que ocultar", disse. / AFP

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