Dale de La Rey / AFP
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Manifestantes ficam entrincheirados em universidade de Hong Kong

De acordo com a imprensa local, houve várias prisões e feridos, mas os números ainda são desconhecidos; polícia ameaçou usar munição real caso os mobilizados recorram a armas letais nos confrontos

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2019 | 02h08
Atualizado 18 de novembro de 2019 | 11h00

HONG KONG - Manifestantes pró-democracia incendiaram nesta segunda-feira, 18, a entrada do campus da Universidade Politécnica (PolyU) em Hong Kong, onde estão entrincheirados para impedir uma intervenção da polícia, que ameaçou utilizar munição real caso os mobilizados recorram a armas letais nos confrontos.

De acordo com a imprensa local, houve várias prisões e feridos, mas os números ainda são desconhecidos.

Hong Kong é cenário desde junho de manifestações sem precedentes contra a interferência da China e a favor de mais democracia no território semiautônomo de 7,5 milhões de habitantes, que sofre sua crise política mais grave desde 1997, quando retornou à soberania chinesa.

O governo de Pequim se recusou a fazer qualquer concessão e advertiu que não tolerará uma insurreição.

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A crise entrou em uma nova fase, mais radical, com a adoção pelos manifestantes da estratégia batizada de "Blossom Everywhere" (Eclosão em todos os lugares), que consiste em multiplicar os bloqueios e os atos de vandalismo para testar a capacidade da polícia.

"Acabar com a violência e restabelecer a ordem é a tarefa mais urgente", afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa da China, em uma referência à primeira mobilização de soldados chineses nas ruas da ex-colônia britânica.

No sábado, pela primeira vez desde o início das manifestações em junho, soldados do Exército Popular de Libertação (EPL) saíram dos quartéis para ajudar a retirar as barricadas das ruas.

Enquanto o Exército chinês está à espreita, os manifestantes conquistaram nesta segunda uma vitória simbólica: a proibição do uso de máscaras em protestos, anunciada em outubro pelo governo de Hong Kong para tentar conter a mobilização pró-democracia. A medida foi considerada inconstitucional pela Alta Corte.

Explosões

Nesta madrugada foram ouvidas várias explosões, antes de um foco de incêndio ser observado na entrada da PolyU, que durante o fim de semana virou o principal reduto dos protestos.

Ao que parece, a polícia tentou fazer uma intervenção no campus - que fica na península de Kowloon -, mas foi impedida pelos manifestantes.

Depois que um policial foi ferido no domingo por uma flecha lançada por um manifestante, as forças de segurança alertaram que utilizariam "balas reais", pela primeira vez desde o início dos protestos, que nos últimos dias registraram um nível de violência inédito. / AFP e EFE

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