Confronto entre polícia e manifestantes deixa dois mortos na Caxemira

Desde junho, 57 pessoas morreram em protestos da população muçulmana contra governo da Índia

AP,

14 de agosto de 2010 | 22h45

 

SRINAGAR, ÍNDIA- mais duas pessoas foram mortas a tiros pelas forças de segurança neste sábado, 14, na região indiana da Caxemira, em mais uma consequência de semanas de protestos da população, majoritariamente muçulmana, contra o governo do país.

 

Apesar do primeiro-ministro Manmohan Singh ter ordenado o envio de milhares de soldados à turbulenta região, ao menos 57 pessoas morreram desde junho na onda de violência. Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram contra o governo nesta sexta, após as forças de segurança terem matado quatro pessoas e deixado mais 31 feridas.

 

A situação vivida no local faz recordar o fim dos anos 80, quando protestos contra o governo indiano desencadearam um conflito armado que deixou mais de 68 mil pessoas mortas, em sua maioria civis.

 

Neste sábado, soldados paramilitares abriram fogo contra centenas de manifestantes que revidavam com pedras em Anantnag, bairro no sul da cidade de Srinagar, a principal da Caxemira.

 

Um homem de 35 anos morreu e ao menos quatro pessoas ficaram feridas, de acordo com um oficial da polícia que falou sob condição de anonimato.

 

Os disparos causaram protestos massivos na cidade e milhares de habitantes saíram às ruas gritando slogans a favor da independência da região.

 

Ainda segundo o policial, um jovem foi morto no norte da cidade de Narbal, após as tropas atirarem contra um grupo de pessoas que jogavam pedras.

 

Um sentimento contra a Índia - país majoritariamente hindu - cresce na Caxemira, que fica entre este país e o Paquistão e é requisitada pelas duas nações. A população rejeita a soberania indiana e quer formar um país independente, ou se juntar ao Paquistão, de maioria islâmica.

 

Os separatistas já avisaram que os protestos irão seguir em frente, mesmo durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã, que começou na terça.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.