Confronto entre radicais e polícia mata 11 no Paquistão

Conflito ocorre após estudantes da Mesquita Vermelha seqüestrarem policiais

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 15h27

Pelo menos onze pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas nesta terça-feira, 3, em um confronto armado entre as forças de segurança paquistanesas e radicais islâmicos diante da Mesquita Vermelha de Islamabad, conhecida por suas atividades fundamentalistas, informou uma fonte policial. Entre os mortos há pelo menos três membros das forças de segurança, três estudantes islâmicos, três civis que estavam no local, um jornalista e um empresário, segundo a Polícia. O conflito começou quando cerca de 150 estudantes atacaram um posto de segurança de um escritório do governo próximo à Mesquita Vermelha, roubando armas e seqüestrando quatro policiais. As forças de segurança foram acionadas e usaram gás lacrimogêneo para conter os insurgentes. Em resposta, os estudantes radicais da Jamia Hafsa, escola corânica adjacente à Mesquita Vermelha, abriram fogo contra os policiais. Pelo menos 35 alunos estão inconscientes, oito foram mortos e outros três estão feridos. "Eles estão agindo com brutalidade. Até agora, oito de nossos estudantes foram mortos", disse Maulana Abdul Rashid Ghazi, vice-líder da Lal Masjid (Mesquita Vermelha), em Islamabad. Os fundamentalistas da Mesquita Vermelha, conhecida por suas atividades radicais e cujos responsáveis tinham anunciado a jihad contra o governo, se este lançasse uma operação contra eles, realizaram nos últimos meses chamadas populares à guerra santa e fizeram ameaças de ataques suicidas, além de seqüestros de pessoas que teriam cometido atos contra o Islã. O tiroteio causou o fechamento de comércios e engarrafamentos na zona da Mesquita Vermelha. A construção está cercada por mais de mil efetivos desde a última quinta-feira, quando estudantes da Jamia Hafsa seqüestrarem durante algumas horas seis cidadãos chineses, acusados de "atos contra o Islã", porque administrariam um bordel. Os jovens desejam impor as regras sociais do Taleban no Paquistão. Os militares, entre eles membros das forças de elite e da Polícia, cercaram a Mesquita Vermelha e a Jamia Hafsa, e isolaram a zona. No final da manhã desta terça, uma mensagem emitida por alto-falantes de dentro da área da mesquita pedia aos seguidores que realizassem ataques suicidas. O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, optou em algumas ocasiões anteriores pelo diálogo com os fundamentalistas para não abrir uma nova frente de crise no país, onde atualmente o governo enfrenta um movimento de contestação sem precedentes. Matéria ampliada às 11h35 para acréscimo de informações

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