Confronto no Líbano mata dois membros da Cruz Vermelha

Funcionários foram vítimas do fogo cruzado entre o Exército libanês e milicianos

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Dois integrantes de uma organização de ajuda humanitária foram mortos e um mediador palestino ficou ferido em uma batalha na segunda-feira entre tropas libanesas e militantes inspirados na Al-Qaeda em um campo de refugiados palestinos. Fontes de segurança disseram que os dois funcionários da Cruz Vermelha Libanesa foram mortos e um terceiro ficou ferido quando tentavam retirar civis em meio ao conflito entre o Exército e os militantes da Fatah al-Islam no campo de Nahr al-Bared, ao norte do Líbano.Um clérigo palestino, xeique Mohammad al-Hajj, também ficou ferido depois de entrar no campo para negociar com os militantes maneiras de acabar com o conflito de 23 dias. Uma nuvem de fumaça pairava sobre Nahr al-Bared enquanto várias salvas de disparos de artilharia pesada caíam sobre o local e disparos de metralhadoras de tanques atingiam supostos refúgios dos militantes. Os membros do Fatah al-Islam respondiam com ataques esporádicos realizados com morteiros e granadas lançadas por foguete. Segundo um acordo firmado pelos árabes em 1969, o Exército do Líbano não tem permissão para ingressar nos campos de refugiados palestinos existentes no país. Ao menos 132 pessoas, entre as quais 57 soldados, já perderam suas vidas nas três semanas de lutas, o pior conflito interno surgido no território libanês desde a guerra civil (1975-1990). Apenas nos combates do final de semana, 11 soldados morreram e mais de cem ficaram feridos. Equipes de resgate não têm conseguido fornecer uma cifra de mortos confiável por causa da dificuldade de locomoção pelo campo, um vasto conjunto de pequenas vielas localizado à beira do Mediterrâneo. Mas ao menos 42 militantes e 33 civis já morreram. Os militares afirmam que o grupo islâmico deu início ao conflito quando atacou posições do Exército ao redor do campo e na periferia da cidade de Trípoli, perto dali. O Fatah al-Islam diz ter agido em legítima defesa e prometeu lutar até o fim. Os combates aumentaram ainda mais a instabilidade no Líbano, já paralisado por uma crise política iniciada sete meses atrás. Na semana passada, combates violentos atingiram o maior campo de refugiados palestinos. E, desde o dia 20 de maio, cinco bombas foram detonadas em áreas civis de Beirute e nas proximidades.

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