Confronto transforma cidade do Iêmen em 'inferno'

Corpos jaziam nas ruas de uma cidade do sul do Iêmen na quarta-feira, enquanto as forças do governo combatiam militantes islâmicos, disse uma autoridade local, salientando a gravidade dos múltiplos conflitos do país.

MOHAMMED MUKHASHAF E ASMA ALSHARIF, REUTERS

08 de junho de 2011 | 15h39

O presidente Ali Abdullah Saleh, de 69 anos, que foi ferido na sexta-feira quando foguetes atingiram seu palácio, está sendo tratado na capital da Arábia Saudita, Riad. As notícias sobre seu estado de saúde, porém, são conflitantes - variando de uma situação relativamente sem gravidade a até queimaduras em 40 por cento do corpo.

Uma trégua entre as forças do governo e integrantes de tribos que apoiam os manifestantes pró-democracia mantinha-se em Sanaa. Potências ocidentais e árabes têm trabalhado para convencer Saleh a permanecer afastado e permitir o início de uma transição no poder.

Saleh deixou um país em crise, com os civis iemenitas arcando com o impacto dos confrontos. As equipes médicas enfrentam dificuldades para chegar aos feridos e faltam eletricidade e água, informou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Cerca de 20 corpos foram retirados de dentro e no entorno de Sanaa desde sábado pelas equipes do CICV e do Crescente Vermelho do Iêmen. Sete deles foram retirados na terça-feira de Al-Hassaba, ao norte da capital, informou o CICV.

"Por causa do confronto, tem sido difícil para o pessoal médico chegar a certas partes de Sanaa", disse Jean-Nicolas Marti, o chefe da delegação do CICV no Iêmen.

Autoridades e moradores descreveram cenas terríveis na província de Abyan, no sul do país, onde o Exército e militantes islâmicos se enfrentam há dias. Milhares de moradores deixaram a região.

"Há um jogo de gato e rato acontecendo nas ruas agora entre o Exército e homens armados. Não sei mais dizer quem é quem", afirmou Khaled Abboud, morador local, por telefone. "Há cheiro de pólvora e de sangue no ar. Só fiquei para proteger minha casa, mas agora quero sair deste inferno."

O confronto transformou Zinjibar - que contava com 50 mil habitantes -- em uma cidade fantasma sem energia elétrica nem água corrente.

A autoridade sanitária Alhadar Alsaidi disse que os corpos das ruas estavam espalhando doença e sendo comidos por cães selvagens. "Peço às organizações de saúde locais e internacionais que nos ajudem a recolher os corpos das ruas e a enterrá-los", afirmou ele.

O Exército iemenita disse esta semana que matou 30 militantes em Zinjibar, onde uma autoridade local afirmou que 15 soldados também morreram nas batalhas pela cidade que foi capturada por homens armados há quase duas semanas.

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