Confrontos com insurgentes matam 15 na capital da Somália

Ação teve como alvo forças de paz da União Africana, dizem manifestantes que querem controle de Mogadíscio

Agência Estado e Associated Press,

29 de janeiro de 2010 | 12h26

Insurgentes somalis lançaram nesta sexta-feira, 29, a mais violenta ofensiva na capital em meses com ataques simultâneos contra forças do governo e mantenedores de paz, que deixou 15 pessoas mortas. A informação foi confirmada por moradores e um funcionário do setor de saúde.

 

Um porta-voz da insurgência islâmica afirmou que os ataques na manhã desta sexta-feira contra várias bases do governo e as tropas de mantenedores de paz da União Africana eram uma reação. Segundo ele, a ação era contra um plano dos mantenedores de paz e do governo para retomar o controle integral da capital, Mogadíscio.

 

"O confronto foi uma resposta ao chamado governo e os (mantenedores de paz) tentando nos intimidar, dizendo que tomarão controle de toda capital", afirmou o xeque Ali Mohamud Rage.

 

Os ataques de sexta-feira ocorrem apenas alguns dias antes do primeiro aniversário do presidente, xeque Sharif Sheik Ahmed, no cargo. Na ocasião, acreditava-se que a eleição de Ahmed, um ex-rebelde islamita, angariaria apoio da insurgência. A administração fraca e dividida, porém, não conseguiu melhorar nem a segurança nem os serviços básicos oferecidos à população.

 

A Itália e a União Africana criticaram recentemente os governos de todo o mundo que não cumpriram suas promessas de financiar as forças de segurança somalis, para ajudar a melhorar a segurança.

 

Em abril, doadores se comprometeram a enviar mais de US$ 250 milhões para financiar a força de paz da União Africana durante um ano, e também as forças do governo local. No fim do ano passado, porém, somente 30% desse valor havia sido desembolsado, segundo diplomatas italianos e da UA.

 

A Somália não tem um governo central efetivo há 19 anos, desde a queda da última ditadura. O governo apoiado pela ONU atualmente controla apenas alguns setores da capital, com o apoio de 5.100 mantenedores de paz estrangeiros.

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