Confrontos de jovens na Grécia se espalham pela Europa

Os confrontos que têm ocorrido na Grécia nos últimos seis dias mostram sinais de estarem se espalhando pela Europa. Jovens enfurecidos destruíram lojas, atacaram bancos e jogaram garrafas contra policiais em protestos pequenos, porém violentos, hoje na Espanha e na Dinamarca. Na França, carros foram incendiados do lado de fora do consulado grego. Ontem, manifestantes reuniram-se em frente à embaixada grega em Roma. Alguns atacaram veículos da polícia italiana e viraram um carro. As autoridades dizem que os incidentes têm sido isolados até agora, mas reconhecem a preocupação de que as manifestações gregas - que começaram após a polícia ter matado um adolescente de 15 anos no sábado - possam se tornar uma desculpa para vários grupos fazerem manifestações contra as turbulências econômicas e a falta de oportunidades de emprego. "O que está acontecendo na Grécia tende a provar que a extrema esquerda existe, ao contrário das dúvidas de alguns nas últimas semanas", disse porta-voz do Ministério do Interior da França, Gerard Gachet. "Por enquanto, não podemos ir mais adiante com nossas conclusões e dizer que há o perigo de contágio da situação grega na França. Tudo isso tem sido observado."Na medida em que a Europa cai em recessão, o desemprego sobe, particularmente entre os mais jovens. Mesmo antes da crise, os jovens europeus reclamavam da dificuldade em encontrar ocupações com bons salários, mesmo que tenham um diploma universitário, e muitos diziam se sentir deixados para trás enquanto o continente prosperava. Pelo menos um dos protestos parece ter sido organizado pela internet, mostrando a rapidez com que uma mensagem pode ser disseminada. Um site que os manifestantes gregos tem usado para falar sobre suas reivindicações vem recebendo a simpatia de internautas em quase 20 países. "Nós estamos encorajando atos de não-violência aqui e no exterior", disse Konstantinos Sakkas, um manifestante de 23 anos da Politécnica de Atenas, de onde vieram muitos dos manifestantes. "O que tem acontecido no exterior são expressões de solidariedade espontânea com o que está acontecendo aqui." Dinamarca e Espanha Na Dinamarca, os manifestantes entraram em confronto com a polícia, no centro de Copenhagen na noite de ontem. Sessenta e três pessoas foram detidas e depois liberadas. Na Espanha, jovens atacaram bancos, lojas e a delegacia de polícia em manifestações diferentes em Madri e Barcelona, também na noite de quarta-feira. Cada protesto reuniu cerca de 200 pessoas. Alguns dos manifestantes gritavam "policiais assassinos" e outros slogans. Onze pessoas, dentre elas uma jovem grega, foram presas durante as duas manifestações. Dois policiais ficaram levemente feridos. O jornal La Vanguardia, de Barcelona, disse que os protestos foram organizados pela internet. Daniel Lostao, presidente do Conselho Jovem, entidade patrocinada pelo governo e que reúne várias organizações de jovens na Espanha, disse que esses grupos espanhóis enfrentam grandes desafios como elevação do desemprego, baixos salários e dificuldade em deixar as casas dos pais em razão da alta dos preços da moradia. Ainda assim, ele duvida que os protestos na Espanha possam aumentar. "Não sentimos que isso vai se espalhar", disse. França Na França, os manifestantes atearam fogo em dois carros e em lixo no qual aparentemente havia material inflamável do lado de fora do consulado grego em Bordeaux, na manhã de hoje. Eles também grafitaram o prédio, fazendo ameaças de novos protestos, disse Michel Corfias, cônsul grego no local. "Foi um incêndio muito, muito intenso", disse Corfias, acrescentando que houve sérios danos à porta principal do prédio. Na porta da garagem lia-se "solidariedade com as manifestações na Grécia, a insurreição vai melhorar". A palavra "insurreição" foi pichada nas portas de várias casas da vizinhança. Corfias disse que a polícia suspeita que os ataques estão ligados aos eventos na Grécia e que eles podem ter sido realizados por jovens infelizes com a globalização e com as dificuldades econômicas na França. "Na minha opinião, as manifestações na Grécia são um pretexto", afirmou. "Os eventos na Grécia foram um gatilho."

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