Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Amr Abdallah Dalsh/Reuters

Confrontos de partidários e opositores de Morsi deixam dezenas de mortos

Embates ocorreram em todo o país; segundo Ministério da Saúde, mais de 200 pessoas estão feridas

O Estado de S. Paulo,

05 de julho de 2013 | 19h06

(Atualizada às 20h15) CAIRO - Os confrontos entre manifestantes partidários e opositores do presidente deposto, Mohamed Morsi, causaram a morte de pelo menos 30 pessoas nesta sexta-feira, 5, em todo o Egito, segundo o Ministério da Saúde. Apenas em Alexandria, 12 pessoas morreram.

Os manifestantes partidários de Morsi seguiram durante a noite até a Praça Tahrir, onde opositores ainda comemoravam o golpe. Soldados posicionaram veículos blindados nas pontes sobre o Rio Nilo e abriram fogo contra os manifestantes. Ao mesmo tempo, uma multidão de islamitas atacou oponentes de Morsi. Os manifestantes usaram fogos de artifício, pedras e coquetel molotov nos confrontos.

Momento antes, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, fez um discurso aos manifestantes pedindo a volta de Morsi ao poder. "Deus fez Morsi vitorioso e o levará de volta ao palácio", disse ele. "Nós somos seus soldados e o defenderemos com nossas vidas."

Badie foi libertado nesta sexta-feira, depois de ter sido detido pelo Exército. O líder afirmou que estava pronto para chegar a um entendimento com as Forças Armadas, mas só depois que Morsi fosse reconduzido ao cargo de presidente.

Helicópteros militares fizeram voos rasantes sobre a multidão e Badie apelou ao Exército para não disparar contra o seu próprio povo, dizendo que as manifestações eram mais fortes do que os tanques. "Nossos peitos são mais fortes do que as balas."

Violência. Na noite de quinta-feira, o coronel Ahmed Mohammed Ali escreveu, em sua página no Facebook, que o Exército e as forças de segurança não iriam adotar "quaisquer medidas excepcionais ou arbitrárias" contra qualquer grupo político.

As Forças Armadas têm um "forte desejo de assegurar a reconciliação nacional, a justiça e a tolerância construtivas", escreveu ele, afirmando que apenas protestos pacíficos seriam tolerados. O coronel também pediu que os egípcios não ataquem escritórios da Irmandade para evitar um "círculo infindável de represálias".

Morsi permanece no quartel da Guarda Republicana sob prisão domiciliar desde sua derrubada na quarta-feira./ REUTERS e AP

 

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