Confrontos deixam 1 morto e 10 feridos

Soldados que tentavam bloquear acesso a aeroporto entram em choque com manifestantes

Gustavo Chacra, TEGUCIGALPA, O Estadao de S.Paulo

06 de julho de 2009 | 00h00

Ao menos uma pessoa morreu e outras dez ficaram feridas na tarde de ontem durante confrontos entre manifestantes que apoiam o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e as forças policiais e do Exército que tentavam restringir o acesso ao aeroporto internacional de Tegucigalpa.A vítima foi identificada como Obed Murillo, de 19 anos, que recebeu um tiro na cabeça. Segundo informações não confirmadas, outra jovem internada em um hospital público da capital hondurenha também teria morrido. Eles foram alvejados quando milhares de simpatizantes forçaram a passagem até o aeroporto para esperar pela possível chegada do presidente deposto. Alguns manifestantes arremessaram paus e pedras contra os soldados, que revidaram lançando bombas de gás lacrimogêneo. Nos telhados das proximidades, eram vistos francoatiradores. Durante o dia, o clima ao redor do aeroporto era calmo. Quase todos os voos foram cancelados, segundo um comandante da aeronáutica, por decisão das próprias companhias. Apenas um avião, vindo de Houston, aterrissou e, em seguida, decolou levando alguns passageiros para o Texas. Alguns helicópteros militares sobrevoavam a pista o tempo todo.Dentro do terminal, redes de TV posicionavam suas câmeras em uma pequena praça de alimentação do aeroporto de onde era possível observar a pista. Os repórteres trocavam informações, muitas vezes desencontradas. Em alguns momentos, a informação era de que o avião que levava Zelaya havia pousado em El Salvador.Aos poucos, manifestantes começaram a se juntar e conseguiram superar o bloqueio para se aproximar do terminal do aeroporto, aumentando a tensão. Outros seguiram para as grades ao redor da pista. Quando o avião do presidente deposto sobrevoou o aeroporto, no fim da tarde em Tegucigalpa, os manifestantes começaram a gritar sem parar seu nome. Em um certo momento, um carro de som começou a emitir uma mensagem ao vivo de Zelaya para os manifestantes. Os soldados também escutavam atentamente, mas mantinham as suas posições.Em seguida, chegaram as informações de que o avião do presidente não pousaria. Os manifestantes se retiraram aos gritos de "assassinos" para os soldados e policiais. Com o toque de recolher antecipado para as 18h30, a maioria decidiu seguir para suas casas e um novo protesto dos seguidores de Zelaya foi marcado para hoje. Já os defensores do governo de facto de Roberto Micheletti convocaram um ato diante da sede do governo de Honduras.

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