Confrontos deixam 85 mortos na fronteira do Paquistão

Conflitos na divisa com o Afeganistão acontecem horas após a reeleição do presidente Musharraf

AP e Reuters,

07 de outubro de 2007 | 12h30

Confrontos entre guerrilheiros da milícia fundamentalista islâmica Taleban e forças paquistanesas deixaram 85 mortos na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, neste domingo, 7. Os ataques, ocorridos na conflituosa região do Waziristão do Norte, ocorrem poucas horas depois da confirmação da vitória do presidente Pervez Musharraf nas eleições presidenciais.  Musharraf obtém maioria de votos em eleições presidenciais Neste domingo, 65 militantes e 20 soldados morreram na conflituosa área do Waziristão do Norte, segundo informações do exército. A província tem sido usada como refúgio de militantes pró-Líbano próximo à fronteira com o Afeganistão.  O combate começou quando militantes fizeram uma emboscada contra um comboio militar perto da cidade de Mir Ali, norte da região de Waziristão, na noite de sábado. O Exército contra-atacou e o conflito se acirrou também em outras áreas próximas a Mir Ali, um reduto da Al-Qaeda, continuando até a noite de domingo, disse o porta-voz militar, major-general Waheed Arshad.  Ele disse que jatos militares foram usados na operação. "Helicópteros armados e jatos estão atacando a área. Vi chamas enormes na região", disse um morador de Mir Ali à Reuters. Mas "a operação terminou, mesmo com alguns enfrentamentos em outras áreas", disse Arshad. O Paquistão vive uma onda violência desde julho, quando um pacto de paz com os insurgentes foi rompido na região do Waziristão do Norte e comandos armados tomaram de assalto uma mesquita radical em Islamabad. Os episódios estão levando paquistaneses a se oporem ao apoio de Musharraf à guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo. No último sábado, o presidente pediu à oposição que abandone o caminho do confronto e dos protestos, em uma breve mensagem divulgada após sua reeleição para um novo mandato. O general obteve 671 dos 685 votos emitidos pelos deputados e senadores paquistaneses, segundo os resultados divulgados pelas autoridades.Em declarações à imprensa, Musharraf agradeceu pelo apoio de seus partidários, e pediu à nação que rejeite aqueles que "instigam a confusão na sociedade, convocando greves e protestos".Musharraf obteve no sábado uma arrasadora vitória nas eleições presidenciais paquistanesas, marcadas pela abstenção do principal partido de oposição e pelas dúvidas sobre se a candidatura do atual presidente será invalidada. A vitória de Musharraf ainda não é oficial, já que a legalidade de sua candidatura depende de uma decisão do Supremo Tribunal.Musharraf, que chegou ao poder em 1999, por meio de um golpe de Estado, e se "legitimou" no cargo em um polêmico plebiscito realizado em 2002, assegurou que seu segundo mandato marcará a "transição para um governo completamente civil", e pediu pela reconciliação das forças políticas paquistanesas. Matéria ampliada às 18h13 para acréscimo de informações

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