Confrontos deixam mais 23 mortos na Síria

Forças leais a Assad e grupos de oposição, entre eles desertores, voltam a se enfrentar; comerciantes que participam de greve são ameaçados

DAMASCO, / AP e REUTERS , O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h01

Confrontos entre as forças de segurança e grupos de opositores deixaram ao menos 23 mortos ontem em diferentes cidades da Síria. A repressão aos protestos continua, apesar dos apelos da comunidade internacional e das tentativas recentes de um acordo oferecido pela Liga Árabe ao ditador sírio, Bashar Assad.

Militares sírios e desertores, que formaram o chamado Exército de Libertação da Síria, também travavam combates ontem que ameaçam levar o país à guerra civil. Vários veículos militares foram incendiados pelos desertores. Desde o início do levante, em meados de março, mas de 4 mil pessoas foram mortas, segundo a ONU.

As forças de oposição convocaram também para ontem o início de uma greve geral em solidariedade à luta contra o regime, que já se arrasta há nove meses. Alguns comerciantes que aderiram à paralisação relataram ter sofrido ameaças das tropas leais ao ditador. "Eles foram levados até suas lojas e forçados a abrir as portas. Os que se recusaram tiveram os estabelecimentos atacados pela própria polícia", disse Rami Abdulrahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, que atua no país.

Em Amã, capital da vizinha Jordânia, um protesto de exilados sírios contra o regime de Bashar Assad terminou em confronto diante da embaixada da Síria.

Os manifestantes tentaram invadira o prédio da representação diplomática e conseguiram agredir diplomatas e funcionários que se aproximaram da multidão. De acordo com a polícia, dois diplomatas e quatro funcionários ficaram feridos.

Reação. Participando de uma conferência em Viena, ontem, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, declarou que a saída da família Assad do poder "seria uma bênção para o Oriente Médio". Ele também declarou que "há algo de errado" com uma família que reprime, mata e "massacra o próprio povo".

O chanceler francês, Alain Juppé, declarou ser "provável" que Assad esteja por trás do ataque a tropas francesas que integram a missão de paz da ONU no Líbano. O atentado a bomba, que feriu cinco capacetes azuis, ocorreu na sexta-feira. "Temos fortes razões para acreditar que os ataques vieram de lá (Síria)", afirmou. Juppé disse, ainda, que a França tem certeza de que o ato foi cometido por integrantes do Hezbollah. "É o braço armado da Síria (no Líbano)", concluiu.

O ex-premiê libanês Saad Hariri disse ontem que o ataque às tropas francesas foi "mais uma mensagem de Bashar (Assad)". Nenhum grupo havia reivindicado a autoria do atentado.

Votação. A Síria realiza hoje eleições para os conselhos municipais sírios. Cerca de 14,5 milhões de eleitores têm direito de escolher quem ocupará as cadeiras dos 1.337 conselhos espalhados pelas províncias. No total, 42.889 candidatos concorrerão a 17.588 cadeiras.

A votação será a primeira a ocorrer sob a nova legislação eleitoral, decretada por Assad em julho para tentar aliviar a pressão dos protestos. Entre as mudanças, milhares de curdos passaram a ter direito ao voto. Mas a expectativa de comparecimento é baixa.

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