Confrontos deixam pelo menos 3 mortos na Bolívia

Dois violentos confrontos entre policiais amotinados por aumento de salários e militares deixaram pelo menos três mortos e quatro feridos em La Paz, capital da Bolívia. Os militares e os policiais se encontram na praça Murillo, onde está o Palácio do Governo.A rede de televisão Unitel informou que duas pessoas morreram dentro do edifício do Grupo Especial de Segurança (GES) onde, desde a tarde de terça-feira, centenas de policiais estão amotinados contra a criação de um imposto sobre o salário, anunciado pelo governo do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, e por um aumento salarial.Ao mesmo tempo, a rede de televisão Bolivision informou sobre um terceiro morto que faleceu ao chegar ao hospital, baleado.Outros quatro policiais foram feridos a bala nos dois pesados confrontos com troca de tiros entre o Batalhão Colorados do Exército, que mantém sob controle metade da praça Murillo, e a polícia rebelada, que controla os outros 50% da praça.Enquanto prosseguia a batalha entre militares e policiais, o ministro da Presidência, Carlos Sánchez, falando do Palácio do Governo, convocou para "o diálogo e a tranqüilidade" e afirmou que seu colega, o ministro do Governo (Interior) Alberto Gasser, está negociando com o setor policial.Consultado sobre a possibilidade de retroceder na aplicação do imposto sobre o salário, que será analisado e deverá ser aprovado pelo Congresso boliviano para ser aplicado possivelmente a partir de março, Sánchez disse que o gabinete econômico estava reunido com o presidente Sánchez de Lozada para examinar o tema.No entanto, pouco depois Sánchez de Lozada abandonou o Palácio do Governo fortemente escoltado, em um carro blindado, rumo à Casa Presidencial. O ministro também esclareceu que o regimento militar Colorados foi enviado à praça Murillo para proteger o Palácio do Governo e o próprio presidente.Por sua vez, o major da polícia David Vargas, que representa os policiais amotinados, pediu ao regimento que se retire da praça e que seja estabelecida uma trégua, esclarecendo que "ninguém está atentando contra o presidente". "Nós não queremos mais confrontos, mas eles (os militares) não querem retirar-se e estão com metralhadoras", disse Vargas.

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2003 | 18h52

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