Confrontos elevam popularidade do governo israelense e do Hamas

Governo israelense e militantes palestinos têm ganhos politicos com os confrontos que já deixaram quase 100 mortos.

BBC Brasil, BBC

19 de novembro de 2012 | 17h15

Tanto o governo israelense como o Hamas obtiveram ganhos políticos com os confrontos iniciados há seis dias e que já deixaram mais de 90 mortos na Faixa de Gaza e 3 mortos no sul de Israel.

De acordo com uma pesquisa de opinião publicada pelo jornal Haaretz, a popularidade dos dois líderes israelenses que estão à frente da chamada Operação Coluna de Nuvem - o premiê Binyamin Netanyahu e o ministro da Defesa Ehud Barak - aumentou em decorrência dos confrontos.

A pesquisa indica que o apoio do público a Netanyahu e Barak subiu em 20 pontos e que 84% da população concorda com a decisão do gabinete de lançar a ofensiva contra a Faixa de Gaza.

Analistas palestinos afirmam que o Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza, também obteve ganhos políticos desde que os confrontos começaram.

De acordo com o analista Mahdi Abdul Hadi, para a população palestina "tanto na Faixa de Gaza, como na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental", o Hamas torna-se cada vez mais o símbolo da "resistência".

'Protagonista'

"Abu Mazen (presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas) agora está à margem dos acontecimentos. Ninguém mais leva Abu Mazen a sério. O principal protagonista é o Hamas", disse Abdul Hadi à BBC Brasil.

O Hamas, que esteve isolado desde que tomou à força o controle da Faixa de Gaza em 2007, agora obtém mais e mais legitimidade, principalmente por parte do novo governo egípcio.

Desde a vitória do lider da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, nas eleições egípcias, houve uma mudança drástica na relação do país com o Hamas.

O líder anterior do Egito Hosni Mobarak colaborava com o bloqueio israelense à Faixa de Gaza, enquanto Mursi manifesta solidariedade ao Hamas, grupo que tem afinidade ideológica com a Irmandade Muçulmana.

O fato de que, apesar da disparidade de forças com Israel, o Hamas tem conseguido colocar mais de 4 milhões de civis israelenses dentro da linha de fogo, atacando inclusive Tel Aviv, é visto pela população palestina como um êxito.

"A nova geração palestina já não acredita mais no caminho das negociações, no qual o Fatah apostou, o processo de paz está morto, agora o que prevalece entre os jovens é a cultura da resistência", afirmou Abdul Hadi, que é diretor da Passia, Associação Palestina de Estudos Internacionais.

Mensagem de solidariedade

O presidente Abbas enviou um dos líderes do Fatah, Nabil Shaat, à Faixa de Gaza com uma mensagem de solidariedade com os palestinos da região, que desde o dia 14 deste mes, sofreram mais de mil bombardeios das tropas israelenses.

A vida das cidades do sul de Israel se encontra praticamente paralisada desde o início dos confrontos e a população desta região já foi alvo de mais de 900 foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza.

De acordo com porta-vozes do Exército israelense, desde o início da operação as tropas "já destruíram grande parte do arsenal do Hamas e mataram líderes militares importantes do grupo".

No sexto dia desde o início da violência entre Israel e os grupos armados da Faixa de Gaza - Hamas, Jihad Islâmico, Comitês de Resistência Popular e grupos salafistas - o confronto se aproxima de uma encruzilhada.

Se por um lado há a possibilidade de cessar-fogo bilateral - que está sendo negociado principalmente com intermediação egípcia, não se descarta também o risco de um recrudescimento da violência.

Invasão terrestre

O Exército israelense já recrutou 40 mil reservistas e deslocou tropas para a fronteira da Faixa de Gaza, se preparando para uma invasão terrestre.

O vice-premiê de Israel, Moshe Yaalon, afirmou nesta segunda-feira que Israel "quer cessar-fogo em troca de cessar-fogo" e que se o Hamas não parar de disparar foguetes contra seu país, "não haverá outro caminho exceto a operação terrestre".

De acordo com as últimas informações, o lider político do Hamas, Haled Mashal, que está negociando um acordo com os chefes da Inteligência egípcia no Cairo, exige que o cessar fogo seja acompanhado por um alivio do bloqueio israelense à Faixa de Gaza.

O general da reserva e ex-lider do Partido Trabalhista, Amram Mitzna, defendeu um cessar-fogo imediato.

Em entrevista à radio Kol Israel, Mitzna afirmou que "Israel já alcançou os objetivos da operação e nosso interesse agora é parar os ataques. Acredito que, se pararmos, o Hamas também irá parar. A invasão terrestre será um erro". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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