Confrontos entre facções anti e pró-Assad espalham-se na Síria

Partidários do regime vão às ruas e entram em choque com opositores

, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

DAMASCO - Apesar dos esforços do presidente da Síria, Bashar Assad, para conter a onda de distúrbios que há três meses varre o país, confrontos entre partidários e opositores do regime intensificaram-se ontem e atingiram níveis inéditos de violência. Segundo relatos, forças leais a Assad abriram fogo contra dissidentes em meio a batalhas de rua. Pelo menos sete pessoas teriam morrido.

 

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Dezenas de milhares de partidários do regime saíram ontem às ruas em defesa do presidente. "O povo quer Bashar Assad!", gritava a multidão. Os manifestantes leais a Assad entraram em choque com opositores em uma praça da cidade de Hama, no centro da Síria.

Segundo grupos locais de defesa dos direitos humanos, diante dos distúrbios entre as duas facções, forças de segurança abriram fogo contra os opositores, matando um garoto não identificado de 13 anos. Mortes por causa de confrontos de rua também foram registradas na cidade de Deir el-Zour, no leste do país.

Os grupos pró e anti-Assad já haviam se enfrentado antes, mas a violência dos choques de ontem ainda não havia sido registrada. "Estamos vendo uma escalada (na violência) por parte das autoridades", disse Omar Idilbi, porta-voz de um comitê da oposição. "Eles estão enviando delinquentes pró-regime, juntamente com forças de segurança, para atacar os manifestantes."

Na segunda-feira, Assad voltou a acusar "sabotadores" e "agentes estrangeiros" pelos distúrbios em seu país. No entanto, pela primeira vez, o ditador sírio admitiu a possibilidade de reformar a Constituição.

Integrantes da oposição recusaram a oferta, acusando Assad de tentar ganhar tempo enquanto tenta esmagar os dissidentes. Estima-se que a repressão aos protestos na Síria já tenha levado 10 mil opositores à prisão e matado 1.400. Sob influência dos levantes na Tunísia e no Egito, a oposição síria foi às ruas exigindo o fim da ditadura.

Tour oficial. Sob forte pressão da comunidade internacional, Assad liberou o acesso de autoridades estrangeiras ao norte do país em "tours" promovidos pelo próprio governo. No entanto, os diplomatas, guiados pelo regime sírio, não conseguiram averiguar as denúncias a respeito de graves violações.

O embaixador dos EUA na Síria, Robert Ford, foi a Jisr al-Shughour, no norte. A visita causou grande constrangimento depois que Damasco passou a utilizá-la como prova de que não tem nada a esconder.

Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, os visitantes encontraram "uma cidade vazia e destruída". Ela reconheceu, porém, que não havia nenhum morador no local para oferecer uma visão diferente daquela apresentada pelo regime. / AP

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