Mohamed Abd El Ghany/Reuters
Mohamed Abd El Ghany/Reuters

Confrontos entre liberais e islamitas deixam 110 feridos no Egito

Este é o primeiro enfrentamento violento nas ruas entre facções rivais desde que Mursi assumiu a presidência

Yasmine Saleh e Marwa Awad, Reuters

12 de outubro de 2012 | 20h13

CAIRO - Opositores e partidários do presidente egípcio, Mohamed Mursi, entraram em confronto no Cairo nesta sexta-feira, no primeiro enfrentamento violento nas ruas entre facções rivais desde que o líder islâmico assumiu o cargo.

Islamitas e seus opositores jogaram pedras, garrafas e coquetéis molotov, e alguns lutaram corpo a corpo, mostrando como os ânimos ainda estão exaltados entre os grupos rivais que tentam moldar o novo Egito após décadas de autocracia, embora as ruas estejam mais calmas desde que Mursi venceu as eleições, em junho.

O Ministério da Saúde egípcio disse que 110 pessoas tinham ferimentos leves ou moderados em decorrência dos confrontos, informou a mídia estatal.

Um governo está no comando, mas islamitas e liberais estão em desacordo sobre a elaboração da nova Constituição, que deve ser aprovada antes de um novo Parlamento poder ser eleito.

Muitas das milhares de pessoas reunidas na praça Tahrir estavam furiosas com a decisão desta semana de um tribunal que absolveu ex-autoridades acusadas ??de ordenar um violento ataque de forças leais a Hosni Mubarak contra manifestantes que participavam do levante que depôs o então presidente, no ano passado.

Porém, mesmo antes dessa decisão, opositores de Mursi tinham convocado protestos contra o que eles dizem ser uma incapacidade de cumprir promessas durante os primeiros 100 dias no cargo.

Na noite desta sexta-feira, um comunicado emitido pelo gabinete condenou os acontecimentos dizendo que eles dificultam os esforços políticos e econômicos do governo.

A nota informou que o primeiro-ministro Hisham Kandil "apela a todos os grupos presentes na Praça Tahrir e em outras praças e lugares para que fiquem longe de qualquer ação que possa manchar a imagem do novo Egito".

Não houve intervenção da polícia, que tem sido muitas vezes alvo da ira de manifestantes por causa da brutalidade empregada contra ativistas na revolta do ano passado.

(Reportagem adicional de Mohamed Abdellah, Patrick Werr e Shaimaa Fayed, Omar Fahmy e Ali Abdelaty, no Cairo, e Abdel Rahman Youssef, em Alexandria)

Tudo o que sabemos sobre:
Primavera ArabeEgitoConfrontoMursi

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.