Hussein Malla/AP
Hussein Malla/AP

Confrontos entre manifestantes e policiais deixam mais de 220 feridos em Beirute

Libaneses protestam contra piora da situação socioeconômica no país e incapacidade das autoridades de formar um governo

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2020 | 19h07

Mais de 220 pessoas ficaram feridas neste sábado, 18, em Beirute em confrontos entre manifestantes e a polícia, os mais violentos desde que, há três meses, teve início um movimento de protesto contra os políticos, acusados de corrupção e inércia. 

As manifestações se exacerbaram nas últimas semanas pela piora da situação socioeconômica e pela incapacidade das autoridades de formar um governo, mais de dois meses depois da demissão do premiê Saad Hariri. Os manifestantes estão irritados com a elite que governa o país e o levou à pior crise econômica em décadas.

Hariri, que renunciou como primeiro-ministro em outubro, afirmou pelo Twitter que os confrontos ameaçavam a paz civil. “É uma cena insana, suspeita e que deve ser rejeitada.”

Agressões da polícia e prisões nos últimos dias deixaram grupos de direitos humanos alarmados e fizeram ativistas temerem medidas para reprimir a dissidência.

A violência começou deste sábado em frente a uma das principais portas do Parlamento, no centro de Beirute, quando os manifestantes, alguns encapuzados, investiram contra policiais do batalhão de choque, lançando projéteis, pedras, galhos de árvores e outros objetos. Alguns tentaram furar os bloqueios.

A polícia usou jatos d'água e gás lacrimogêneo para conter o tumulto. Concentrados nas ruas vizinhas ao parlamento, manifestantes lançaram pedras e fogos de artifício contra a polícia.  As Forças de Segurança Interna (ISF) afirmaram que estavam sendo “violenta e diretamente” confrontadas e aconselharam o público a deixar a área. “Os que estiveram causando tumultos serão perseguidos, presos e levados ao judiciário”, disse, pelo Twitter.

Os confrontos continuaram durante horas, até que a polícia conseguiu dispersar os manifestantes, à noite. "Mais de 80 pessoas foram levadas para o hospital, enquanto mais de 140 foram atendidas na rua", indicou à AFP um porta-voz da Cruz Vermelha, segundo quem havia feridos tanto entre os manifestantes quanto entre as forças de ordem.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, pediu a garantia "da segurança dos manifestantes pacíficos, a proibição de atos de vandalismo e a preservação dos bens públicos e privados".

Ataques a bancos

Inicialmente, estava prevista uma manifestação até o parlamento, mas a violência eclodiu antes mesmo do seu início.

As Forças de Segurança Interior (FSI) lamentaram no Twitter a violência e pediram aos manifestantes pacíficos que deixassem o local com urgência, "para a sua própria segurança".

O movimento de protesto pede, desde o início, um governo de tecnocratas e personalidades independentes dos partidos tradicionais. Mas desde a nomeação do novo premier, em dezembro, as negociações sobre a divisão dos ministérios estão paralisadas.

As manifestações das últimas semanas também respondem às restrições que os bancos estão impondo aos saques. O Líbano tem uma dívida de quase US$ 90 bilhões, ou mais de 150% de seu PIB, e o Banco Mundial advertiu, em novembro, que o índice de pobreza poderia atingir 50% da população, contra o atual um terço. /AFP

 

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