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Protestos contra eleições presidenciais no Quênia deixam pelo menos 3 mortos

Casos ocorreram na capital Nairóbi e nos nichos eleitorais opositores de Homa Bay e Kisumu, onde a votação nem sequer foi realizada em razão da violência; polícia usou munição real, gás lacrimogêneo e canhões de água para conter manifestantes

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 12h36
Atualizado 26 Outubro 2017 | 13h30

NAIRÓBI - Pelo menos 3 pessoas morreram e 20 ficaram feridas em enfrentamentos com a polícia durante os protestos da oposição contra a repetição das eleições presidenciais no Quênia nesta quinta-feira, 26, informou polícia local.

Em dia de votação para presidente, queniana dá à luz em seção eleitoral

Uma das mortes ocorreu na capital, Nairóbi, enquanto as outras duas foram registradas nos nichos eleitorais opositores de Homa Bay e Kisumu, onde a votação nem sequer tinham começado a uma hora do fechamento dos colégios, marcado para as 17 horas (12 horas de Brasília) - nestes locais, uma nova tentativa de votação ocorrerá no sábado.

As três pessoas morreram baleadas pelas forças de segurança encarregadas de dispersar os manifestantes, que tentavam bloquear o acesso aos colégios eleitorais para impedir a votação. Os feridos, alguns deles também por disparos, também são destas três cidades e de outras áreas de maioria opositora, como Migori.

De acordo com a imprensa local, uma outra pessoa também teria morrido baleada em Nairóbi, mas a polícia desmentiu esse caso, dizendo se tratar de uma informação "evidentemente falsa, com o objetivo de fazer crer que as eleições estão conturbadas por uma violência generalizada".

Os distúrbios

Em Kisumu, terceira maior cidade do país e tradicional reduto da oposição, jovens que atenderam a um pedido de boicote dos eleitores feito pelo líder opositor Raila Odinga atiraram pedras e foram recebidos com tiros de munição real, gás lacrimogêneo e canhões de água.

Batalhões de choque patrulhavam Kibera e Mathare, duas favelas da capital Nairóbi, e de manhã cedo manifestantes atearam incêndios em Kibera. Quase 50 pessoas foram mortas por forças de segurança desde a votação original de agosto, que Kenyatta venceu, mas que foi anulada pela Suprema Corte devido a irregularidades processuais.

A eleição está sendo acompanhada atentamente em todo o leste da África, que conta com o Quênia como polo comercial e logístico, e no Ocidente, que considera Nairóbi um anteparo contra a militância islâmica da Somália e os conflitos civis no Sudão do Sul e Burundi.

Embora tenham surgido tensões em alguns bastiões da oposição, em outras áreas a situação estava calma. O ministro do Interior, Fred Matiang‘i, disse à Citizen TV que as zonas eleitorais abriram em quase 90% do país, incluindo Kiambu, onde Kenyatta votou.

+ Relembre a votação presidencial no Quênia, em agosto

“Estamos solicitando a eles (eleitores) humildemente que compareçam em grande número”, disse Kenyatta depois de depositar seu voto. “Estamos cansados, como país, de campanhas eleitorais, e acho que é hora de seguir em frente”.

Se alguns condados não conseguirem realizar eleições pode haver contestações legais à reprise eleitoral e uma instabilidade de longo prazo na nação, já dividida por conflitos étnicos profundos.

Na quarta-feira, a Suprema Corte deveria julgar um pedido de adiamento da votação, mas não conseguiu se reunir porque cinco dos sete juízes não compareceram. “A falta de quorum é altamente incomum para uma audiência da Suprema Corte e despertou sérias dúvidas entre os quenianos, incluindo sobre uma possível interferência política”, disse um comunicado da União Europeia. / AFP e EFE

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