Confrontos étnicos deixam um morto na Guiné

Integrantes do grupo étnico malinke provocaram tumultos em quatro cidades de Guiné, matando um homem e destruindo lojas pertencentes a membros do grupo étnico peul, na medida em que a violência étnica se espalha em meio a um novo adiamento das eleições presidenciais. As tensões estão se intensificando no país africano com o atraso do segundo turno da eleição presidencial entre dois candidatos - um peul e outro malinke. Pelo menos uma pessoa morreu e 62 ficaram feridas na capital do país na semana passada.

AE-AP, Agência Estado

25 de outubro de 2010 | 17h21

Na vila de Siguiri, norte do país, um homem foi morto por malinkes armados com facões, disse um parente da vítima à AP. A rádio local informou que lojas pertencentes a peuls em Siguiri, Kankan, N''Zerekore e Kissidougou foram atacadas por malinkes durante o final de semana. Na última sexta-feira, o chefe eleitoral da Guiné, Siaka Toumani Sangare, adiou o segundo turno da eleição presidencial, inicialmente marcado para domingo, a segunda vez que a votação foi transferida. O país o oeste africano, rico em bauxita, nunca elegeu livremente seu líder desde que conquistou a independência da França em 1958.

Sangare, um malaio que foi nomeado após a morte de seu antecessor em setembro, não disse quando a nova data será anunciada. A indicação de um estrangeiro para o cargo teve como objetivo encerrar a discórdia sobre a formação da comissão eleitoral. O candidato Cellou Dalein Diallo é peul, etnia que, apesar de ser a maior do país, nunca teve representantes no poder. Seu rival, Alpha Conde, é malinke, grupo com alta representação no Exército e na junta responsabilizada pelo massacre de manifestantes pró-democracia em 2009 na capital, Conakry.

Disparos

Durante manifestações na semana passada, em Conakry, forças de segurança dispararam contra manifestantes desarmados. Algumas pessoas foram atingidas à queima-roupa, informou o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra. Segundo a ONU, as autoridades espancaram os manifestantes e detiveram de forma arbitrária um número desconhecido de pessoas e as mantém em locais não informados. Dentre as vítimas há um menino de sete anos que foi atingido na cabeça por uma bala perdida e continua em coma.

A agência da ONU informou que alguns dos responsáveis pela violência parecem pertencer a uma unidade policial especial encarregada de fazer a segurança da eleição. Forças de segurança são temidas na Guiné. Em 28 de setembro de 2009, soldados fecharam as saídas do estádio nacional de futebol onde dezenas de milhares de manifestantes se reuniram para exigir o fim do regime militar.

As tropas entraram no local e abriram fogo com rifles. Uma comissão da ONU disse que 156 pessoas foram mortas ou desapareceram e que pelo menos 109 mulheres foram estupradas ou submetidas a outras formas de violência sexual. As vítimas eram em sua maioria da etnia peul. De acordo com o escritório da ONU para direitos humanos, parte dos episódios de violência da semana passada teve motivação étnica.

Tudo o que sabemos sobre:
Guinémorteconfrontos étnicos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.