Khaled Abdullah/Reuters
Khaled Abdullah/Reuters

Confrontos matam 13 no Iêmen; enviado da ONU pede acordo de paz

Repressão do governo a focos da oposição continua; Saleh reluta em assinar acordo de paz

Reuters

11 de novembro de 2011 | 15h20

TAIZ - Pelo menos 13 pessoas foram mortas em intensos confrontos na cidade iemenita de Taiz nesta sexta-feira, 11, um dia após um enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) iniciar uma nova missão para pressionar o presidente Ali Abdullah Saleh a renunciar, dentro de um plano de paz do Golfo.

 

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Testemunhas e médicos disseram que pelo menos 30 pessoas também ficaram feridas nos confrontos entre a Guarda Republicana de Saleh e membros de tribos da oposição na terceira maior cidade do Iêmen, um foco de protestos anti-regime a cerca de 200 quilômetros ao sul de Sanaa.

Uma menina de oito anos de idade foi morta e sua mãe ficou gravemente ferida em mais um bombardeio no bairro de Al-Hasab, na parte ocidental da cidade, informaram fontes hospitalares, elevando para três o número de crianças mortas nos confrontos.

Três mulheres também morreram em bombardeios nos distritos de Al-Rawda e Al-Zaid Moshki, bem como na Praça da Liberdade, onde manifestantes exigindo o fim do regime de 33 anos de Saleh se reúnem para as orações muçulmanas do meio-dia toda sexta-feira.

Forças de Saleh depois bombardearam o Hospital de Al-Rawda, para onde as vítimas dos combates anteriores tinham sido levadas, matando um paciente e ferindo cinco pessoas. Eles disseram que os pacientes tiveram que ser levados às pressas para o porão depois que a bomba danificou o terceiro e o quarto andares.

A Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, que compartilha uma longa fronteira com o Iêmen, está preocupada que a violência no vizinho pode fortalecer os militantes da Al-Qaeda baseados no país que lançaram ataques no passado contra alvos americanos e sauditas.

Na capital iemenita Sanaa, dezenas de milhares de manifestantes anti-Saleh participavam das orações em uma estrada principal. Alguns exigiam que o presidente fosse julgado pelo que eles chamavam de crimes contra o povo iemenita. Orações separadas foram realizadas por milhares de partidários de Saleh na capital. Não houve relatos de violência em Sanaa.

Os combates em Taiz começaram na quinta-feira depois que homens armados atiraram e feriram gravemente um soldado posicionado em um prédio do governo. Isso foi acompanhado do assassinato de um líder tribal pró-Saleh e ferimentos em um dos seus guarda-costas.

 

Enviado

O enviado da ONU, Jamal Benomar, chegou em Sanaa na quinta-feira para encorajar "um processo de transição abrangente que atenda às necessidades e aspirações de todos os iemenitas," disse um porta-voz.

Saleh, que se mantém no poder apesar da pressão em casa e no exterior, tem repetidamente evitado assinar o acordo. A França disse que a União Europeia irá discutir congelar ativos de Saleh para aumentar a pressão para sua saída.

O plano prevê que Saleh entregue o poder ao seu vice, Abd-Rabbu Mansour Hadi, que irá supervisionar a formação de um governo de unidade nacional antes de eleições presidenciais antecipadas.

Benomar se reuniu com o chanceler Abubakr al-Qirbi em Sanaa na quinta-feira e deve se reunir com Hadi, e também com líderes da oposição que estão prestes a retornar de uma viagem pelo Golfo dentro de alguns dias.

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