Confrontos matam mais de 100 na Síria, diz oposição

Em um dos dias mais violentos desde o início dos protestos, Unicef afirma que 384 crianças morreram nos últimos 11 meses no país

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h02

A Síria viveu ontem um dos dias mais violentos desde o início das manifestações contra o regime do presidente Bashar Assad, em fevereiro. Em todo o país, segundo grupos de oposição, mais de cem pessoas morreram. A alta-comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse que o número de vítimas passa de 5,4 mil e reconheceu que a organização já enfrenta dificuldades para estimar o número de mortos em razão da escalada da violência no país.

Segundo ativistas, forças de segurança usaram tanques e morteiros em violentas operações nas cidades de Homs e Hama, no centro da Síria, e em Idlib, norte do país. No bairro de Al-Hamidiyeh, em Hama, 44 pessoas morreram após uma incursão de soldados contra manifestantes. Testemunhas disseram que vários cadáveres ficaram abandonados nas ruas.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, grupo de oposição com sede em Londres, informou que milicianos rebeldes, que desertaram do Exército sírio, mataram 12 soldados - 6 com um carro-bomba em Idlib e 6 em uma emboscada em Deraa, no sul do país.

Em Homs, o ativista Hadi al-Homsi afirmou que 18 pessoas morreram depois que soldados abriram fogo contra a multidão que deixava a mesquita local após as preces de sexta-feira. "Foi o terceiro dia seguido de bombardeios na cidade", disse. Em Alepo, a segunda maior cidade do país, onde os protestos eram raros, nove pessoas morreram. Em Damasco, o número de vítimas em confrontos foi de 21.

Crianças. O Fundo das Nações Unidas para a Criança (Unicef) divulgou ontem mais um número alarmante sobre a crise na Síria: em 11 meses de protestos, 384 crianças foram assassinadas. Ontem, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se a portas fechadas para discutir o caso. No entanto, o representante russo, Vitaly Churkin, disse que o Kremlin não apoiará uma resolução com a linguagem apresentada por diplomatas europeus.

De acordo com fontes diplomáticas, Churkin teria afirmado aos membros do Conselho de Segurança que a Rússia discordava da tentativa da Liga Árabe de "impor uma solução externa" ao conflito na Síria - o esboço de resolução teria sido apresentado pelo Marrocos. Ele rejeitou, principalmente, a ideia de um embargo de armas e do uso da força - segundo relato de pessoas presentes à reunião, a China também se opôs.

O general sudanês Mohamed Musatafa al-Dabi, chefe da missão de observadores da Liga Árabe na Síria, admitiu ontem que a violência se agravou "dramaticamente" nos últimos dias, o que dificulta o engajamento das partes em uma solução negociada para o conflito. / REUTERS, AFP e AP

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