Confrontos matam mais de 250 em quatro dias no Paquistão

Esta é a pior onda de violência no país desde o início do apoio aos EUA em sua guerra contra o terror, em 2001

Associated Press e Agência Estado,

09 de outubro de 2007 | 09h33

Quatro dias de violentos confrontos entre militantes islâmicos e forças de segurança paquistanesas perto da fronteira com o Afeganistão provocaram a morte de aproximadamente 250 pessoas, informou nesta terça-feira, 9, o Exército do Paquistão.  Trata-se de um dos piores confrontos ocorridos em solo paquistanês desde que Islamabad decidiu apoiar Washington em sua guerra ao terrorismo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Segundo a agência Associated Press, ataques aéreos contra um mercado a céu aberto na aldeia de Epi, na província de Waziristão do Norte, provocaram a morte de mais de 50 pessoas na tarde desta terça. Há militantes islâmicos e civis entre as vítimas, disse por telefone o morador Noor Hassan. "Os bombardeios destruíram diversas lojas e casas, Também há dezenas de feridos. Estamos partindo", relatou. Abdul Sattar, dona de uma mercearia, disse ter contado mais de 60 mortos e 150 feridos. Segundo ele, diversas vítimas foram mutiladas. "Muitas delas não tinham cabeça, mãos ou pernas. Diversas pessoas procuravam por seus filhos e suas esposas", prosseguiu Sattar, também em conversa por telefone. Já o general Waheed Arshad, porta-voz do Exército paquistanês, afirma que a Força Aérea atacou "um ou dois lugares" perto da cidade de Mir Ali. Segundo ele, dezenas de rebeldes teriam morrido na ação. Epi fica a apenas quatro quilômetros de Mir Ali. Arshad admitiu que o bombardeio pode ter matado civis que vivem perto dos esconderijos onde os militantes foram atacados, mas não dispunha de informações detalhadas. "Tínhamos relatos confirmados sobre a presença de militantes e a força aérea foi usada para atacar esconderijos de militantes", disse ele à AP. Hassan, o morador, disse que, além de Epi, o vilarejo de Hader Khel também foi atacado. A atual onda de violência em Waziristão do Norte teve início no sábado, quando uma bomba atingiu um caminhão que transportava soldados paramilitares. Violentos confrontos se seguiram. Os corpos de dezenas de soldados foram encontrados, muitos deles com a garganta cortada, relataram moradores em fuga. Sattar acusou o Exército de "oprimir" as tribos pashtuns locais. Ele recomendou aos jornalistas que visitem a região para ver que os "canalhas" (palavra usada pelo Exército para se referir aos militantes) atacados pelas forças de segurança são na verdade mulheres e crianças. Antes dos bombardeios de hoje, o Exército paquistanês havia confirmado a morte de 150 supostos rebeldes e de 45 soldados desde sábado. Mais de dez militares estão desaparecidos.

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