Confrontos no Chile marcam 40º aniversário do golpe contra Allende

Ao menos 68 pessoas foram presas e policiamento foi reforçado; Piñera pede reconciliação nacional

O Estado de S. Paulo,

11 de setembro de 2013 | 10h42

O aniversário do golpe militar que derrubou o presidente chileno Salvador Allende, há 40 anos, provocou distúrbios na madrugada desta quarta-feira, 11, no Chile. Ao menos 68 pessoas foram presas nos protestos, que deixaram carros queimados e barricadas nas ruas de Santiago. Pela manhã, o presidente Sebastián Piñera, de centro-direita, fez um apelo pela conciliação nacional.

Manifestantes chilenos jogaram pedras e bombas feitas com gasolina em confrontos com a polícia em ao menos dez bairros da periferia de Santiago.

Segundo a polícia, no entanto, os distúrbios foram menores do que o previsto para a data. "Até o momento o balanço foi positivo, comparado ao que se esperava", disse o diretor da polícia Andrés Chadwick. "No resto do país, a data transcorre de maneira normal." Um efetivo de 8 mil policiais foi deslocado para patrulhar as ruas no aniversário do golpe.

Em cerimônia no Palácio de La Moneda, onde Allende cometeu suicídio em meio ao bombardeio comandado pelo general Augusto Pinochet, Piñera pediu que os chilenos não repassem às novas gerações "os ódios e querelas". "estou seguro que a maioria dos chilenos sentem que a reconciliação é necessária e chegou o momento de superar os traumas do passado", disse o presidente.

A morte do presidente marcou o começo dos 17 anos de ditadura no país. Cerca de 3,2 mil pessoas morreram e 38 mil foram torturadas nas anos de chumbo. Pinochet morreu quando estava em prisão domiciliar e nunca foi julgado pelas acusações de enriquecimento ilegal e violações dos direitos humanos.

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