Confrontos no Egito deixam mais 2 mortos

Liberais e salafistas se unem na oposição e pedem diálogo nacional; manifestantes prometem grande marcha amanhã

CAIRO, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2013 | 02h01

O principal líder da oposição no Egito e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, pediu ontem um amplo diálogo nacional com o governo islamista de Mohamed Morsi, os militares e os salafistas ultraconservadores. Ontem, dois manifestantes morreram na Praça Tahrir em confronto com as forças de segurança. São mais de 60 os mortos na última semana.

O apelo de ElBaradei coloca ainda mais pressão sobre Morsi, um dia após o alerta do chefe do Exército, Abdul-Fattah al-Sisi, para a ameaça de "colapso do Estado" em razão da crise. O aviso do mais importante general das Forças Armadas foi entendido como uma crítica implícita ao presidente, incapaz de conter a onda de violência que se alastrou pelas principais cidades do país.

A imposição do estado de emergência e do toque de recolher na região do Canal de Suez e no Cairo não foi suficiente para conter os distúrbios. Cinco integrantes de um violento grupo de manifestantes mascarados, conhecidos como Bloco Negro, foram presos ontem.

Manifestantes convocaram para amanhã uma grande marcha até o palácio presidencial para pedir a saída do presidente.

Morsi também parece estar perdendo o apoio de aliados islamistas. O líder do partido salafista Al-Nour, Younis Makhyoun, reuniu-se ontem com a coalizão Frente de Salvação Nacional, que congrega grupos laicos e nacionalistas e é liderada por ElBaradei. Os dois partidos rivais discutiram medidas para o fim da crise, isolando a Irmandade Muçulmana, de Morsi.

Mas, em visita à Alemanha, Morsi evitou falar em governo de união e tentou reduzir a dimensão da crise. "O que está ocorrendo no Egito é natural em nações que experimentam uma transição para a democracia", disse em Berlim, após se reunir com a chanceler Angela Merkel. Ele disse ainda que no Egito há um governo estável trabalhando noite e dia pelos interesses de todos os egípcios e a formação de um novo governo virá das eleições parlamentares, em três ou quatro meses. / AP e NYT

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