Confrontos no Egito deixam pelo menos 4 mortos

Pelo menos quatro pessoas foram mortas em confrontos que emergiram entre partidários da Irmandade Muçulmana e a polícia em várias partes do Egito nesta sexta-feira, disseram fontes do setor de segurança.

Reuters

17 de janeiro de 2014 | 20h43

A violência irrompeu um dia antes do esperado anúncio oficial das autoridades egípcias sobre os resultados do referendo desta semana sobre uma nova Constituição, parte de um plano de transição apoiado pelo Exército na mais populosa nação do mundo árabe.

Um homem foi morto com um tiro no pescoço na cidade de Fayoum, ao sul do Cairo, disse à Reuters uma autoridade local do Ministério da Saúde.

Três pessoas morreram em confrontos na área do Cairo, segundo fontes da área de segurança. Dois homens foram mortos a tiros e as circunstâncias da outra morte não estão claras.

Partidários da Irmandade também entraram em confronto com forças de segurança na cidade de Suez, de acordo com a agência de notícias Mena, bem como em Ismailia e em várias partes da capital, disseram fontes da área de segurança.

Na parte central do Sinai, homens armados causaram uma explosão em um gasoduto que abastece uma zona industrial. Segundo as fontes da segurança, ninguém ficou ferido, mas o ataque prejudicou o fornecimento de gás para algumas fábricas da área.

O primeiro-ministro interino, Hazem el-Beblawi, condenou o atentado ao gasoduto e prometeu punir com força os responsáveis por esses crimes.

A autoridade estatal entrou em colapso em partes da península do Sinai depois da queda do veterano presidente Hosni Mubarak em 2011, o que permitiu a grupos extremistas islâmicos se aproveitarem do vácuo de poder.

Os ataques contra policiais e soldados na península, que faz fronteira com o território palestino da Faixa de Gaza e com Israel, se intensificaram depois que o Exército derrubou o presidente islâmico Mohamed Mursi em julho em meio a protestos de massa contra seu governo.

As forças de segurança egípcia prenderam milhares e mataram centenas de partidários da Irmandade Muçulmana desde a derrubada de Mursi, o primeiro líder do Egito eleito democraticamente, e no mês passado declararam o grupo uma "organização terrorista".

A Irmandade, que afirma estar comprometida com o ativismo pacifista, pediu sem sucesso o boicote ao referendo sobre a nova Constituição.

Segundo a mídia estatal, citando estimativas iniciais, cerca de 95 por cento dos eleitores manifestaram apoio à nova Constituição que vai substituir a aprovada sob o governo de Mursi e fortalecer os órgãos do Estado que desafiaram o governo dele: o Exército, a polícia e o Judiciário.

(Reportagem de Shadia Nasralla; reportagem adicional de Mohamed Abdellah e Ali Abdelaty)

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