Confrontos ocorrem na Ucrânia após aprovação de leis anticorrupção

Parlamento aprovou medidas datadas do período soviético para atender às demandas dos futuros parceiros da União Europeia

O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 12h14

KIEV - Milhares de manifestantes entraram em confronto com a polícia nesta terça-feira, 14, perto do Parlamento ucraniano, jogando pedras e bombas de fumaça, além de atirarem com armas de ar comprimido contra as janelas do prédio. Os manifestantes, muitos mascarados e armados com bastões ou correntes de metal, se juntaram na porta principal do edifício e começaram os ataques.

Deputados que haviam acabado de aprovar leis anticorrupção e a nomeação de um novo ministro da Defesa, no último dia de sessão do atual Parlamento antes das eleições do dia 26, anteciparam o recesso em razão do distúrbio.

O Parlamento aprovou leis de combate à corrupção e para reduzir as ações de vigilância do Estado na vida política, datadas do período soviético, como parte dos esforços dos novos líderes do país para atender às demandas de seus futuros parceiros da União Europeia antes da eleição parlamentar.

Não ficou claro qual a demanda dos manifestantes, que se recusavam a dizer quais forças políticas representavam. A polícia disse ter prendido 36 manifestantes.

"Essa é uma ação provocadora dirigida para a desestabilização da situação na Ucrânia", disse Zoryan Shkiryak, assessor do Ministério do Interior ucraniano.

O grupo nacionalista de extremadireita Setor de Direita declarou que seus integrantes não haviam participado do protesto. O partido nacionalista Svoboda também negou envolvimento.

Mais cedo, o Svoboda realizou uma reunião perto do Parlamento pedindo que os deputados concedessem um status especial a uma força nacionalista que data da Segunda Guerra Mundial chamada Exército Insurgente Ucraniano, que combateu a ocupação nazista e, mais tarde, as forças soviéticas.

Mortes. No leste da Ucrânia, sete soldados ucranianos foram mortos nas últimas 24 horas apesar de um cessar-fogo entre forças do governo e separatistas. Seis deles morreram em duas explosões de minas terrestres, disse um porta-voz militar.

As minas foram colocadas por separatistas pró-Rússia em uma área que faz fronteira com um território controlado por rebeldes que buscam independência de Kiev.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, firmou um cessar foto em 5 de setembro, mas o acordo tem sido regularmente violado e militares dizem que cerca de 50 soldados já foram mortos.

Cerca de 3.660 pessoas morreram no conflito que já dura seis meses, de acordo com dados das Nações Unidas. / REUTERS

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