Confrontos ofuscam contagem de votos no Egito

Soldados egípcios entraram em confronto nesta sexta-feira com manifestantes armados com coquetéis molotov que protestavam contra o governo militar no Cairo. O pior episódio de violência das últimas semanas ofuscou a contagem dos votos da segunda fase das eleições gerais no Egito.

AE, Agência Estado

16 de dezembro de 2011 | 16h36

Pelo menos 99 pessoas ficaram feridas quando soldados tentavam interromper uma manifestação pacífica do lado de fora dos escritórios dos ministros, exigindo a transição imediata para um governo civil, informou a televisão estatal.

A emissora também disse que 32 integrantes das forças de segurança ficaram feridos, dentre eles um oficial que foi atingido por tiros de chumbinho.

Os confrontos, que tiveram início pela manhã, foram os mais sangrentos desde que cinco dias de protestos em novembro deixaram mais de 40 mortos pouco antes das primeiras eleições parlamentares desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak.

A violência teve início depois de um manifestante ensanguentado ter dito que fora detido e espancado por soldados, o que irritou seus colegas, que começaram a jogar pedras contra os soldados, informaram testemunhas.

Os manifestantes também lançaram coquetéis molotov na medida em que os confrontos se prolongaram, com tropas e policiais avançando sobre a multidão, informaram correspondentes da agência France Presse.

"O povo exige a execução do marechal de campo", gritavam os manifestantes em referência a Hussein Tantawi, o chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o controle do país após a queda de Mubarak.

Um correspondente da AFP viu manifestantes ensanguentados sendo levados por colegas e policiais detendo várias pessoas. Mais tarde, algumas dos presos foram libertados.

Um oficial militar responsabilizou os manifestantes pela violência e disse à AFP que os soldados envolvidos nos confrontos tinham como função de proteger o gabinete e não interromper a manifestação.

O Partido Liberdade e Justiça, ligado à Irmandade Muçulmana, que até o momento domina a eleição parlamentar, condenou "o ataque aos manifestantes e a tentativa de dispersá-los". A legenda pediu que os militares protejam os manifestantes de homens que os atacam dos telhados. As informações são da Dow Jones.

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