Confrontos se estendem para o norte da Somália

As forças islâmicas disseram que seus combatentes entraram em confronto com uma milícia apoiada por tropas etíopes no norte da Somália, uma das poucas áreas ainda fora do controle das Cortes Islâmicas. O grupo islâmico alegou ter sido atacado em local próximo à região semi-autônoma de Puntland, no norte do país, região que mantém laços próximos com a Etiópia e até agora resistiu à expansão das cortes islâmicas, que agora controlam a maior parte do sul da Somália e da capital. Funcionários de Puntland negam a ocorrência de confrontos. "A intenção das Cortes Islâmicas é conseguir um pretexto para atacar Puntland", afirmou o ministro do Exterior Ali Abdi Aware à Associated Press por telefone. Funcionários do governo etíope repetiram que o país não tem tropas na Somália. Não foi possível verificar imediatamente os confrontos. Se confirmados, a luta marcaria o primeiro confronto desde que as conversas de paz falharam. Tal combate também aumentaria os receios de que a Somália caminha para uma guerra que poderia envolver toda a região do Chifre da África. "Nossas tropas foram atacadas nesta manhã por milícias de Puntland com apoio etíope", disse o xeque Yusuf Mohamed Siyad Indhaade, chefe da segurança nacional das Cortes Islâmicas. Ele afirmou que não houve mortes em razão dos confrontos, e que a milícia islâmica repeliu o ataque. Yusuf disse que o ataque envolveu caminhonetes equipadas com metralhadoras e aconteceu em Galinsoor, 760 quilômetros ao norte de Mogadiscio, e a 60 quilômetros ao sul da fronteira de Puntland. Enquanto isso, na cidade somali de Baidoa, atual sede do governo de transição liderado pelo presidente Abdullahi Yusuf, manifestantes foram às ruas após o principal legislador do país afirmar sua intenção de manter conversas de paz com os rivais islâmicos. "Nós não queremos o parlamentar pois ele quer conversas com as Cortes Islâmicas que estão nos atacando", disse Halima Ahmed, um dos manifestantes no protesto organizado pelo governo. "Nós iremos retirar nosso apoio ao porta-voz do parlamento pois ele quer passar por cima da hierarquia do governo". O parlamentar Sharif Hassan Sheik Aden liderou uma delegação de 25 pessoas que viajou a Mogadiscio, a 250 quilômetros de Baidoa, para se encontrar com líderes islâmicos, apesar da intenção do governo em formar uma posição "unificada", com o presidente o premier primeiro. Aden é considerado o mais simpático líder do governo somali pelas Cortes Islâmicas, quem os EUA acusam de ter laços com a Al Qaeda. Sua decisão de manter conversas sem a cooperação do premier e do presidente é um desafio direto às suas autoridades, e poderia levar ao colapso do governo. A viagem da delegação ocorreu dias após as conversas do governo com os islâmicos terem falhado em Cartum, Sudão. Histórico A Somália não possui efetivamente um governo central desde 1991, quando comandantes militares depuseram o ditador Mohamed Siad Barre e, após isso, viraram-se uns contra os outros - mergulhando sua nação de aproximadamente 8 milhões de pessoas em um estado de anarquia. Um governo provisório apoiado pela ONU foi instaurado na cidade central de Baidoa, mas falhou ao tentar expandir seu poder às outras regiões do país. Fundamentalistas islâmicos apresentaram-se como uma alternativa capaz de trazer ordem e paz, mas não hesitaram em usar a força e abertamente se uniram aos terroristas da Al-Qaeda. Atualmente as Cortes controlam a maior parte do sul do país. Experts alertam que a Somália pode se tornar um campo de batalha para os vizinhos Eritréia e Etiópia. A Etiópia, que se separou da Eritréia após uma guerra em 1960-1961 e lutou mais uma guerra com a Eritréia em 1998-2000, apóia a milícia islâmica. A Etiópia apóia o governo do presidente Yusuf. Um documento confidencial da ONU, ao qual a AP teve acesso, informa que entre seis a oito mil soldados etíopes estão na Somália ou na fronteira. O relatório também informa sobre a presença de dois mil soldados eritreus na Somália. A Eritréia nega a presença de soldados no país, enquanto a Etiópia insiste só ter mandado algumas centenas de assessores. Na quinta-feira, a embaixada dos EUA em Nairóbi, Quênia, alertou que extremistas na Somália planejam ataques suicidas no Quênia e na Etiópia. O seque Hassan Dahir Aweys, o líder islâmico, disse no domingo que os relatos sobre os atentados suicidas são falsos.

Agencia Estado,

06 Novembro 2006 | 15h15

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